- O vereador de Miami, David Suarez, confirmou à ARTnews que pagou para enviar caminhões de outdoors que atacavam organizadores pró-palestinos de protesto fora da Art Basel Miami Beach, em dezembro.
- Os outdoors chamavam a Jewish Voice for Peace (JVP) de “grupo extremista” e os membros Alan Levine e Donna Nevel de “antissemíticos”.
- A acusação consta em um processo federal da região sul da Flórida, divulgado no Intercept, que cita o pagamento feito por Suarez e a entrega dos outdoors.
- A JVP organiza uma série de protestos desde 2023 contra as ligações entre Art Basel e a Elbit Systems, fabricante de armas, com apoio financeiro da suíça UBS.
- Segundo evidências apresentadas, houve um pagamento de 4 mil dólares à empresa Mobile Billboards of Miami pelos três caminhões e um email enviado a uma caixa ligada a Suarez. A JVP chegou a abrir ação contra a cidade para obter documentos relacionados ao caso.
Miami City Commissioner David Suarez admitiu ter financiado caminhões de outdoors que acusavam a organização Jewish Voice for Peace (JVP) de ser extremista, em protests pró-Palestina durante a Art Basel Miami Beach, em dezembro. A informação consta de um processo julgado na Corte Distrital do Sul da Flórida, que também aponta invoices de aluguel de três caminhões por 4 mil dólares.
A JVP organizou uma das quatro articulações de protesto ao redor da feira, com as peças de comunicação chamando a JVP de “grupo extremista” e os organizadores Alan Levine e Donna Nevel de “haters de judeus”. O protesto ocorre em meio a críticas a laços financeiros entre UBS, patrocinadora de Art Basel, e a fabricante israelense de armas Elbit Systems.
Suarez informou por e-mail à ARTnews que financiou o envio dos veículos, e afirmou defender o direito de expressão de todos, mesmo quando discordasse das mensagens. A resposta desencadeou respostas diversas, com Nevel relatando à Intercept que o comissionado tinha sido o alvo de acusações anteriores e que as ações foram consideradas por ela como extremas.
Cristina Rivera, artista e tecnóloga, havia indicado em 2024 que os protestos usam Art Basel para ampliar críticas à War em Gaza e aos investimentos de Miami Beach em Israel Bonds, que foram aumentados para 20 milhões de dólares no ano anterior. Em 2023, os protestos já ocorriam com bandeiras de cessar-fogo.
Documentos anexados ao processo identificam uma fatura da Mobile Billboards of Miami para Suarez, no valor de 4 mil dólares, referente ao aluguel dos caminhões e um contato supostamente ligado ao prefeito. A Intercept também detalha que a ação judicial busca cumprir a produção de documentos de autoridades locais sobre o caso.
Em resposta, Nevel afirmou que houve um ataque direto a ela por discordância com as posições de Suarez sobre Israel, e afirmou que o conteúdo dos outdoors foi identificado como ofensivo pela comunidade. A defesa de Suarez ressaltou que a liberdade de expressão não impede o contraponto público, inclusive por meios móveis.
Ações legais e desdobramentos
O processo judicial cita ainda uma ação movida pela JVP contra a cidade, questionando uma norma que, segundo os organizadores, restringiria protestos. A queixa solicita a apresentação de documentos vinculados a esse episódio e a outras declarações oficiais. O caso amplia o debate sobre limites da liberdade de expressão e a participação de autoridades locais em financiamentos de campanhas de comunicação.
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