- Diálogos obtidos pela Polícia Federal mostram Cláudio Castro agradecendo Daniel Vorcaro por ter bancado um jantar de R$ 66 mil em Nova York.
- A investigação apura aportes de R$ 3 bilhões do Rioprevidência no Banco Master e em fundos vinculados ao banco.
- A defesa de Castro nega interferência na liberação de recursos do Rioprevidência e afirma que contatos ocorreram em agendas oficiais e networking.
- Os relatos indicam encontros entre Vorcaro e Castro no Brasil, além de mensagens relacionadas a eventos no exterior e à organização de jantares.
- A defesa afirma que, desde questionamentos, houve medidas de apuração e que parte dos recursos investidos foi recuperada ou resguardada pelo Rioprevidência, com resgates ocorridos em 2025 e 2026.
Em diálogos obtidos pela Polícia Federal, o então governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, enviou agradecimentos a Daniel Vorcaro após ele ter bancado um jantar de R$ 66 mil em Nova York. As mensagens constam no material de investigação que embasa a operação deflagrada na terça-feira, 26, que cumpriu buscas e apreensões envolvendo Castro e outros alvos. O foco é suspeita de irregularidades em aportes do Rioprevidência ao Banco Master e a fundos vinculados à instituição.
A PF aponta que os contatos entre Castro e Vorcaro ajudaram a entender relações entre o governador e o banqueiro. Trechos divulgados mostram agradecimentos do ex-governador após o pagamento do jantar e menções a novas visitas ao mesmo restaurante no ano seguinte. A investigação envolve aportes de cerca de R$ 3 bilhões do Rioprevidência ao Master e a fundos associados.
Em 11 de maio de 2023, Vorcaro enviou o endereço de um restaurante de Nova York para Castro; pouco depois o governador respondeu que a experiência foi incrível. A agência aponta que, minutos antes, houve cobrança de US$ 13 mil pelo jantar, indicando pagamento efetuado pelo banqueiro.
Um ano depois, Vorcaro organizou novo encontro no mesmo local. Em 12 de maio de 2024, Vorcaro avisou Castro sobre a reserva, e o governador agradeceu, sugerindo a escolha de vinhos e pratos especiais para o encontro. Os investigadores também identificaram registros de encontros entre Vorcaro e Castro na residência oficial no Rio.
Revela-se o contexto da investigação
A PF aponta que a relação entre Vorcaro e Castro pode ter influenciado a liberação de recursos do Rioprevidência ao Master, com pagamentos em períodos próximos aos encontros. Contudo, as mensagens não citam explicitamente o Rioprevidência como destinatário dos recursos.
A defesa de Cláudio Castro negou interferência na liberação de recursos. Em nota, afirmou que contatos ocorreram em agendas oficiais e redes de networking, sem qualquer tratativa ilícita, favorecimento ou benefício pessoal. Também afirma que Castro não conhecia um intermediário citado na investigação.
A defesa ressaltou que os investimentos do Rioprevidência tiveram fluxos técnicos e legais, dentro das regras vigentes, e que Castro não participou de decisões técnicas dos investimentos. O comunicado destaca medidas institucionais tomadas ante questionamentos sobre operações com o Banco Master, incluindo afastamento da presidência do Rioprevidência.
Desdobramentos e esclarecimentos
A nota lembra que, em dezembro de 2025, houve o resgate de aproximadamente R$ 1,4 bilhão de fundos geridos pelo Master, preservando o patrimônio previdenciário. Também aponta encerramento de compras de Letras Financeiras em 2024, fim de novos aportes após determinação do TCE-RJ, e resgate total do Fundo Arena em 2025. O Fundo Revolution teve pedido de resgate em janeiro de 2026.
Segundo a defesa, todos os recursos investidos já foram recuperados ou ressarcidos ao caixa do Estado, com parte destinada ao pagamento da folha previdenciária. A defesa reforça a confiança no esclarecimento dos fatos e no trabalho das instituições envolvidas.
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