- A Polícia Civil deflagrou a Operação Wi-Fi Livre para investigar supostas fraudes em licitação da prefeitura no valor de R$ 108 milhões, relacionada à implantação de 5.000 pontos de wi‑fi público em comunidades.
- A investigação aponta atraso na entrega, com apenas 3.200 pontos instalados até o momento, e uso de três termos aditivos em dias sucessivos para justificar a mora.
- A prefeitura informou que não houve pagamento pela totalidade de 5 mil pontos; os aditivos seriam para manutenção dos 3,2 mil pontos já instalados.
- O Instituto Conhecer Brasil (ICB), ligado a Karina Ferreira da Gama, proprietária da produtora Go Up Entertainment, é alvo de apurações sobre irregularidades na implantação, operação e manutenção do projeto.
- A Promotoria aponta possível comprometimento da lisura administrativa desde a contratação, e a prefeitura afirma colaborar com as autoridades e que o programa funciona normalmente, com informações disponíveis publicamente.
A Polícia Civil deflagrou a Operação Wi-Fi Livre nesta segunda-feira para apurar fraudes em licitação da Prefeitura de São Paulo no valor de 108 milhões de reais. A investigação também verifica possíveis irregularidades na implantação, operação e manutenção de 5 mil pontos de acesso à rede de wi-fi pública em comunidades da capital.
O foco é a relação entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), dirigido por Karina Ferreira da Gama, proprietária da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A apuração envolve a contratação do ICB para o programa WiFi Livre SP.
Não houve conclusão sobre o andamento das obras até o momento, mas a investigação aponta atraso na entrega. O cronograma original previa 5.000 pontos até junho de 2025, enquanto a instalação efetiva alcançou 3.200 pontos até agora.
Desdobramentos da operação
Segundo a Promotoria, houve tentativa de ocultar a mora por meio de três aditivos em curto intervalo de dias. Também foi relatado pagamento antecipado de cerca de 26 milhões de reais, sem contraprestação adequada, incluindo mais de 11 milhões repassados em julho e agosto de 2024, para 3.200 pontos, com apenas parte funcionando no período.
A nota enviada à imprensa destaca que o ICB não possui experiência no setor de telecomunicações, com histórico voltado a feiras de livros e eventos literários ou religiosos. A prefeitura afirmou que coopera com as autoridades e que o material solicitado já foi encaminhado.
Posicionamento da prefeitura
A administração municipal reiterou que não houve pagamento pela formalização de 5 mil pontos e disse que o aditivo visa manter apenas a infraestrutura já instalada. O município informou que a prestação de contas está disponível publicamente, por meio do sistema SEI, e que o contrato com o Instituto Conhecer Brasil seguiu os princípios de legalidade, transparência e economicidade.
A prefeitura também informou que o programa funciona normalmente na cidade e pode ser acompanhado em tempo real. Em 2026, o custo estimado é de 1.280,80 reais por ponto/mês, valor inferior às propostas recebidas em 2022. A administração destacou ainda que a produção do filme mencionada não era conhecida na época do chamamento público.
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