- Gripen F biposto foi apresentado em 2 de junho, em Linköping, como parte da parceria entre FAB e Saab.
- Saab e o ministro da Defesa, José Mucio, estudam assinar memorando para criar um centro de pesquisa próximo ao Centro Tecnológico da Aeronáutica (CTA), em São José dos Campos (SP).
- A ideia é ampliar a cooperação tecnológica, com transferência de know-how e participação de empresas brasileiras, dentro do programa Gripen E/F.
- Não há confirmação de detalhes sobre a ampliação da fábrica em Gavião Peixoto (SP); os planos ainda não foram discutidos a fundo.
- O modelo biposto mantém capacidades semelhantes ao Gripen E, com cockpit duplo e possibilidade de operações com sensores, armas e drones, além de uso de inteligência artificial para apoio à missão.
A Força Aérea Brasileira (FAB) e a Saab anunciaram que vão além do desenvolvimento conjunto do Gripen. O lançamento do Gripen F-39F biposto ocorreu em Linköping, na Suécia, em 2 de junho, com a apresentação de um modelo biposto em demonstração.
O CEO da Saab, Micael Johansson, confirmou que estão em vias de assinar um memorando de entendimento com o Ministério da Defesa, representado pelo ministro José Mucio, para criar um centro de pesquisa próximo ao CTA, em São José dos Campos (SP).
Essa medida faz parte da parceria entre Brasil e Saab, que já envolve transferência de tecnologia, treinamento de engenheiros e participação de empresas brasileiras na cadeia de desenvolvimento. Johansson destacou ganhos de soberania tecnológica para o Brasil.
A ideia de ampliar a cooperação já era conhecida, com possibilidades de ampliar a produção brasileira na unidade de Gavião Peixoto (SP), onde o Gripen E é fabricado. Contudo, Johansson não confirmou detalhadamente planos de expansão durante a coletiva.
O Gripen F, desenvolvido pela Saab em parceria com a Embraer, foi apresentado em Linköping, com o modelo em exposição ainda em fase de testes. O avião biposto mantém a arquitetura do Gripen E, mas com cockpit duplo para missões operacionais e formação de pilotos.
O novo modelo tem alcance de até 4.000 km com reabastecimento, capacidade de até 7 toneladas de armamentos e velocidade de até 2,4 mil km/h. O formato biposto permite distribuição de funções entre dois tripulantes, sem transformar o F em treinador.
A tecnologia de IA atua como copiloto, analisando sensores, radar e comunicações em tempo real para auxiliar as decisões durante missões complexas, além de facilitar a integração com aeronaves não tripuladas.
O contrato Brasil-Saab prevê 36 caças, com 28 E e 8 F, com produção compartilhada entre Suécia e Brasil. Atualmente, 11 aeronaves já foram entregues, em meio a atrasos e reajustes de custo desde o acordo firmado em 2013.
A partir da parceria, o Brasil tornou-se coprodutor do Gripen E/F e mantém a única linha de montagem final da Saab fora da Suécia. A Embraer participou do desenvolvimento do Gripen F, incluindo fuselagem alongada e cockpit duplo.
Além das empresas envolvidas, fornecedores nacionais contribuíram com componentes críticos, como o Wide Area Display (WAD) da AEL Sistemas e peças de diversas outras companhias brasileiras, fortalecendo o ecossistema tecnológico local.
O programa de defesa brasileiro enfrentou atrasos de cronograma e custo, com 12 aditivos contratuais desde 2013. O contrato atual tem previsão de conclusão em 2032, com esforços para ampliar capacidades nacionais de pesquisa e produção.
Especialistas destacam que o ecossistema de defesa brasileiro precisa evoluir para sustentar o crescimento, com ênfase em inovação, ciência e tecnologia, para acompanhar demandas industriais e estratégicas futuras.
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