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Quem são as vítimas da ‘weaponização’, segundo Trump

Análise do New York Times aponta uso frequente de Trump do termo "weaponization" para justificar ações contra o governo e defender aliados sob investigação

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  • Trump tem dito que ele e aliados foram vítimas de “weaponization” do governo, com mais de oitocentas menções públicas desde 2022.
  • Em maio, o Departamento de Justiça criou um fundo de US$ 1,776 bilhão para pessoas que alegaram terem sido prejudicadas pelo governo, chamado por Trump de “fundo anti-weaponization”.
  • Na prática, o tribunal federal proibiu o governo de tomar medidas para iniciar o fundo, e o plan recebeu recuo nos últimos dias.
  • Entre os citados como vítimas, estão Changpeng Zhao, Trevor Milton, Ross Ulbricht, Juan Orlando Hernández, Peter Navarro, Michael T. Flynn, Dinesh D’Souza, Jeff Fortenberry, Stephen K. Bannon, Rod R. Blagojevich, Roger Stone, Walt Nauta e Henry Cuellar.
  • A análise aponta que muitos citados já foram condenados ou se declararam culpados, e que Trump, por vezes, vincula casos a motivos políticos, sem desperdiçar acusações.

O ex-presidente Donald Trump afirma, desde 2022, que ele e seus aliados são vítimas de uma “weaponização” do governo promovida por presidentes democratas. Um levantamento do New York Times aponta aumento do uso dessa linguagem em suas falas públicas e postagens na Truth Social, com mais de 800 menções.

As declarações de Trump repetem, sem apresentar evidências, que houve tratamento injusto por um sistema de justiça supostamente “armado” contra ele e pessoas próximas. Ele atribui esse tipo de punição política a funcionários indicados pelo governo do presidente Joe Biden.

Muitos nomes citados por Trump já enfrentaram decisões judiciais. Há casos em que se comprovou culpa em tribunais ou houve acordo com a Justiça; a defesa apresentada pelo ex-presidente, contudo, costuma recorrer a teorias da conspiração. Em paralelo, alguns republicanos criticaram as tentativas de justificar ou recompensar aliados.

Em maio, o Departamento de Justiça anunciou a criação de um fundo de 1,776 bilhão de dólares para pessoas que alegam ter sido vítimas do que chamou de weaponização. O objetivo oficial seria aliviar danos causados por ações do governo, mas Trump descreveu o fundo como anti-weaponização e o uso público da verba permaneceu controverso.

Na prática, autoridades da Casa Branca disseram que qualquer pessoa pode solicitar pagamentos, desde que cumpram regras do programa. Trump, porém, tem usado o tema principalmente para defender seus aliados, não incluindo amplamente pessoas fora de seu círculo.

Na última semana, uma juíza federal proibiu o governo de iniciar etapas para o fundo. Em novo movimento, Trump sinalizou recuo da proposta. O representante interino da Justiça, Todd Blanche, afirmou que o fundo não avançará em audiência no Congresso.

O objetivo de Trump é apresentar ações contra investigações contra aliados como exemplos de injustiça, enquanto acusações e procedimentos contra ele próprio seguem em curso. As tensões entre a campanha e o aparato federal se intensificaram, levando a renúncias de procuradores e a críticas de tribunais.

Abigail Jackson, porta-voz da Casa Branca, informou que não há distinção partidária na ideia de combater abusos do sistema. Segundo ela, Trump já atuou para corrigir o que chamou de weaponização e para responsabilizar os responsáveis.

Casos citados por Trump como exemplos de weaponization

  • Changpeng Zhao: fundador da Binance, considerado alvo pelo governo em processo de lavagem de dinheiro; Trump elogiou o tratamento recebido.
  • Trevor Milton: criador da Nikola, condenado por fraude envolvendo investidores; Trump destacou a ligação com apoiadores dele.
  • Ross Ulbricht: criador do Silk Road, condenado à prisão perpétua por tráfico de drogas na internet.
  • Juan Orlando Hernández: ex-presidente hondurenho, condenado a 45 anos por tráfico de drogas.
  • Peter Navarro: ex-assessor da Casa Branca, condenado por desobediência a convocação do Congresso.
  • Michael T. Flynn: ex-assessor de segurança nacional, declarou-se culpado de mentir ao FBI em investigações sobre a Rússia.
  • Dinesh D’Souza e Jeff Fortenberry: casos de contribuições eleitorais irregulares e mentiras a autoridades investigativas.
  • Tulsi Gabbard, Rudolph Giuliani, Mike Lindell: citados como exemplos de weaponization em episódios distintos.
  • Walt Nauta, Rod Blagojevich e Roger Stone: nomes ligados a processos criminais envolvendo autoridades próximas a Trump.

O argumento central defendido por Trump sustenta que perseguições legais são usadas de forma seletiva para enfraquecer adversários políticos. O relato é apresentado sem que as autoridades apresentem uma conclusão comum sobre cada caso.

Fonte de referência aponta que, ao menos até o momento, não houve consenso entre autoridades sobre o alcance da weaponization. A cobertura acompanha a disputa entre a narrativa do ex-presidente e as ações do sistema judiciário, com desdobramentos que seguem em andamento.

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