- O pesquisador afirma que, se a economia não melhorar, Trump pode perder a maioria no Senado e na Câmara nas eleições de meio de mandato, em novembro.
- A queda de popularidade é atribuída sobretudo à economia interna, e não apenas aos conflitos no Oriente Médio; tarifas adotadas não trouxeram o resultado esperado.
- O Congresso é visto como apático, com o presidente da Câmara dos Deputados, republicano, e os democratas com espaço limitado para impor sua agenda.
- No dia 4 de julho, os EUA celebram 250 anos de independência; o evento deve coincidir com a Copa do Mundo, sem que a polarização impeça a celebração.
- O pesquisador está lançando um livro sobre a vanguarda americana na democracia, destacando a importância das instituições dos Estados Unidos para o Brasil.
A economia americana em deterioração e a escalada de conflitos internacionais elevam a incerteza sobre o desempenho de Donald Trump nas eleições de meio de mandato de novembro. Em entrevista à RFI, o pesquisador Lucas de Souza Martins, da Temple University, analisa que o deputado republicano pode perder a maioria no Senado e na Câmara caso a inflação se mantenha elevada.
Martins aponta que a principal pauta da população é a inflação e a dificuldade de realizar sonhos como a casa própria e a troca de carro. Segundo ele, a população identifica promessas não cumpridas e dificuldades de recuperação econômica como principais razões para a queda de popularidade.
O pesquisador afirma que a economia interna pesa mais do que os conflitos no Oriente Médio na avaliação pública. Para ele, se não houver sinal de melhora, Trump pode ter dificuldades para manter o controle das duas casas do Congresso, mesmo com a maioria já consolidada no passado.
Ambiente político no Congresso
Martins destaca uma apatia geral no Congresso, que não reage a decisões controversas do presidente. A leitura é de que, se as eleições de meio de mandato amplarem as disputas, Trump ficará mais pressionado pela oposição, cenário ainda ausente hoje.
O especialista ressalta que, apesar da agenda conservadora adotada no segundo mandato, o Republicans tem enfrentado fissuras internas. A equipe de Trump, segundo ele, está mais coesa e conservadora, mas o partido vive rupturas históricas entre grupos ortodoxos e figuras empresariais.
250 anos da independência
No 4 de julho, os EUA completam 250 anos de independência. Trump planeja um grande evento para a data, acompanhado pela Copa do Mundo, sediada em parte no país. Segundo Martins, a polarização tende a não atrapalhar as comemorações, que ganham significado nacional.
O pesquisador comenta ainda o lançamento de um livro em parceria com o jornalista Duda Teixeira, que analisa a contribuição dos EUA para as bases da democracia. O trabalho busca ampliar o debate histórico sobre o papel americano no mundo.
Instituições em foco
Martins ressalta que eventos recentes, como a transição de 2020 e a resistência de Trump a reconhecer resultados, evidenciam a solidez do sistema institucional dos EUA. As instituições teriam se mantido estáveis apesar de tensões políticas e disputas eleitorais.
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