- Os EUA podem retomar tarifas sobre produtos brasileiros, em 25%, o que poderia alcançar até 20% das exportações ao país.
- A pauta envolveu troca de acusações entre Lula e Flávio Bolsonaro sobre quem pediu ou não as tarifas durante visitas aos EUA.
- O diplomata Roberto Azevêdo afirma que o Pix não está ameaçado, mas que há questionamentos sobre o funcionamento pelo Banco Central.
- Ele recomenda manter a negociação com tranquilidade, visando reduzir impactos econômicos e evitar clima eleitoral que atrapalhe acordos.
- O relatório do Escritório de Comércio dos EUA cita o Pix entre seis temas, destacando a administração pelo Banco Central e a concorrência com empresas como Visa e Mastercard.
O governo dos Estados Unidos pode reintroduzir tarifas sobre produtos brasileiros, com impacto potencial de até 20% das exportações. Em meio a esse cenário, o tema Pix ganhou destaque, alimentando disputas entre apoiadores de Lula e Flávio Bolsonaro. Azevêdo afirma que a ferramenta não está sob ameaça.
Roberto Azevêdo, ex-diretor da OMC, concedeu entrevista à BBC News Brasil. Ele afirma que o Pix não está em risco, e que a principal questão é a forma de operação do banco central, que regula o mercado de pagamentos. Segundo o diplomata, as negociações devem seguir com foco em reduzir impactos.
Azevêdo ressalta que as tarifas podem retornar, mas em patamar menor, de 25%, após terem ficado em 40% no passado. Ele aponta danos à integração da cadeia produtiva brasileira nas redes globais, especialmente no nicho de máquinas e equipamentos de alto valor agregado.
O ex-diplomata frisa que as negociações entre Brasil e EUA até não avançaram de fato, com contatos superficiais entre autoridades brasileiras e americanas. Ele recomenda manter a cabeça fria e evitar que o atrito eleitoral atrapalhe decisões econômicas.
Sobre o Pix, o diplomata afirma que as divergências não devem alterar significativamente o funcionamento atual. O ponto de discórdia envolve o fato de o Pix ser gerido pelo Banco Central, o que, segundo ele, é alvo de críticas por favorecer concorrentes como Visa e Mastercard.
Pix no centro do debate
Azevêdo explica que o interesse dos Estados Unidos não é mudar o Pix, mas discutir a administração do sistema. Segundo ele, a se desejar, o Brasil pode atender a demandas de gestão, sem prejudicar a eficácia das transações.
Ele igualmente sustenta que a retórica eleitoral não deve guiar negociações comerciais. Azevêdo afirma que as consequências econômicas recairão sobre empresas e trabalhadores brasileiros, caso as tensões se agravem.
O diplomata também comenta que o uso de mecanismos como a OMC, diante da inoperância de seu órgão de solução de controvérsias, não deve gerar resultados práticos. Ainda assim, ele diz que levar a disputa à OMC pode aumentar a visibilidade do tema.
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