- Thiago de Aragão afirma que minerais críticos colocam o Brasil como peça-chave no embate entre Estados Unidos e China.
- As autoridades dos EUA classificaram o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como organizações terroristas, apontando pressão sobre o setor financeiro brasileiro.
- O Brasil busca equilibrar entregas estratégicas, como o mercado de etanol e a fiscalização ambiental, para proteger ativos como o Pix.
- O momento de reorganização global é visto como oportunidade para o Brasil reduzir a dependência da China e ampliar acordos internacionais.
- A audiência pública acontece em 6 de julho, com prazo final em 15 de julho; o Brasil pode avançar em pontos como etanol, fiscalização de falsificações, patentes e combate ao desmatamento.
O Brasil é apontado por Thiago de Aragão, CEO da Arko Advice, como peça-chave no embate entre EUA e China, sobretudo pela importância dos minerais críticos. Em entrevista, ele afirma que o momento atual de reorganização da ordem global oferece ao país espaço para reduzir a dependência da China sem abandonar compromissos com aliados.
Segundo o analista, a relação entre Brasil e Estados Unidos evolui sob a aparência de cordialidade entre Lula e Donald Trump, mas envolve uma queda de braço geopolítica. Enquanto tarifas e investigações do USTR pressionam o governo brasileiro, o país busca manter entregas em setores estratégicos, como etanol e fiscalização ambiental.
O foco estratégico recai sobre minerais críticos, que, segundo Aragão, elevam o Brasil a um papel central na conjuntura entre Washington e Pequim. Ele aponta que a recente classificação do PCC e do CV como organizações terroristas pelos EUA foi usada como instrumento de pressão sobre o setor financeiro brasileiro, ampliando a relevância dos minerais no tabuleiro global.
Entre as linhas de pressão, o Brasil pode oferecer ao governo norte-americano avanços em áreas como fiscalização de falsificações, desmatamento e eficiência regulatória, além de cooperação em minerais críticos. O cronograma de audiências define 6 de julho como data da audiência pública e 15 de julho como prazo-limite para respostas.
No cenário bilateral, o Brasil pode reduzir tensões ao detalhar argumentos ponto a ponto, visando mitigar impactos em áreas sensíveis como o mercado de etanol e a proteção de dados de pagamentos digitais. A ideia é mostrar capacidade de entrega sem comprometer soberania em temas-chave.
Além disso, o país enfrenta a necessidade de equilibrar interesses políticos e técnicos, reconhecendo que a USTR atua com base em questões políticas além de critérios estritamente técnicos. A defesa do Pix e a argumentação sobre propriedade intelectual compõem parte do eixo de atuação brasileira.
Segundo o especialista, o Brasil não deve adotar retaliações diretas contra o governo dos EUA. Medidas dessa natureza, mesmo que pontuais, poderiam prejudicar consumidores e a relação de cooperação estratégica existente. A cooperação de inteligência entre Brasil e EUA permanece robusta e bilateralmente relevante.
A narrativa aponta ainda que o governo norte-americano busca, com a redenção de acordos em minerais críticos, ampliar vínculos tecnológicos e econômicos com o Brasil. Essa linha de atuação seria percebida como estratégia de longo prazo para sustentar ganhos comerciais e geopolíticos.
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