- Durante a reunião ministerial de ontem, foi alertado o risco de pautas-bomba no Congresso, que poderiam tornar o país ingovernável em um eventual quarto mandato.
- A dificuldade na relação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e a rejeição ao nome de Jorge Messias para o STF também foram temas discutidos pela articulação política.
- O governo busca alternativas para a renegociação das dívidas dos produtores rurais gaúchos, na CAE, e para a PEC que concede autonomia financeira e orçamentária ao Banco Central.
- Estudo da equipe econômica aponta impacto de até R$ 150 bilhões nas contas públicas em 2027, podendo chegar a até R$ 817 bilhões ao longo de treze anos.
- Também foi discutida a defesa do Pix contra a ofensiva tarifária dos Estados Unidos, com o governo cobrando celeridade das entregas e lembrando o início do período de defeso eleitoral a partir de 4 de julho.
Durante reunião ministerial realizada ontem em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi informado sobre o risco de avanço no Congresso de pautas-bomba, que poderiam deixar o país ingovernável em eventual quarto mandato. Também foram discutidos problemas na relação com o Senado e a derrota da indicação de Jorge Messias ao STF.
A articulação política mostrou preocupação com o impacto fiscal de propostas em tramitação, principalmente a renegociação das dívidas dos produtores rurais gaúchos e a PEC que concede autonomia financeira e orçamentária ao Banco Central. Guimarães ressaltou que o tema pode exigir respostas rápidas.
Guimarães e o ministro da Fazenda, Durigan, buscam soluções junto ao relator da matéria, o senador Renan Calheiros. Estudos apontam impacto de até 150 bilhões de reais em 2027, chegando a 817 bilhões de reais ao longo de 13 anos.
Autonomia do BC e desdobramentos
A proposta de autonomia do BC, apoiada pelo presidente da autoridade monetária, pode reduzir o controle fiscal, conforme o texto em análise. Prevê que as despesas do BC fiquem limitadas ao gasto de 12 meses anteriores, corrigido pela inflação, segundo o dispositivo em discussão.
A reunião também tratou da relação com o Senado, que tem ficado mais difícil para o governo. O líder do governo, Jaques Wagner, questionou a rejeição de Messias para o STF, lembrando sua postura de apoio a indicações anteriores. Lula comentou, de forma assertiva, que não haveria dificuldade na relação com senadores, mas responsabilizou Alcolumbre pela atual situação, segundo relatos de participantes.
Alcolumbre não se pronunciou ao Valor sobre a declaração atribuída a Lula. A discussão ocorreu após o início do período de defeso eleitoral, que restringe ações de governo para fins de propaganda, a partir de 4 de julho, com 90 dias antes das eleições.
Durante o encontro, o presidente também defendeu o uso do Pix como resposta à ofensiva tarifária de Estados Unidos e cobrou celeridade na fiscalização de preços de combustíveis. Em seguida, houve relatos de exposições dos demais ministros sobre respectivas pastas e da chefe da Casa Civil.
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