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Turno final presidencial no Peru pode ser decidido por mineradores de ouro

Pequenos mineradores de ouro podem definir o segundo turno no Peru, sustentados pelo Reinfo, cujo fim em 31 de dezembro implica consequências econômicas e políticas regionais

O candidato à presidência do Peru, Roberto Sánchez, discursa para a imprensa antes do segundo turno das eleições, em 7 de junho, contra Keiko Fujimori , em Lima, Peru, em 5 de junho de 2026
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  • A decisão da eleição presidencial no Peru pode depender dos votos dos pequenos mineradores artesanais de ouro, apoiados pelo programa Reinfo, criado em dois mil dezesseis e com expiração prevista para 31 de dezembro.
  • O Reinfo permite que esses mineradores operem com menos licenças ambientais e operacionais; o programa foi prorrogado conforme o valor do ouro subiu, e hoje estima-se que cerca de cinqüenta mil artesãos formais o apoiam, gerando aproximadamente US$ onze bilhões em exportações de ouro em dois mil vinte e cinco.
  • A mineração informal representa quase doze por cento do PIB peruano; regiões rurais concentram esse grupo, que pode influenciar o segundo turno entre Keiko Fujimori e Roberta Sánchez, ambos buscando esse voto.
  • Críticos dizem que o sistema cria impunidade e danos ambientais, enquanto defensores afirmam que ele sustenta economias locais pobres; o Reinfo é visto por apoiadores como uma tábua de salvação econômica.
  • Em quarenta e cinco mil e cinqüenta ações de vinte e cinco mil pessoas, houve uma limpeza em dois mil e vinte e cinco que cancelou registros, mas o sistema se recompôs com novas nomeações; a maior detentora de permissões é a Compañía Minera Agregados Calcáreos, ligada à Holcim Peru.

O segundo turno da eleição presidencial no Peru pode ficar decidido pelos votos dos pequenos mineradores artesanais de ouro. Esse grupo se beneficia de regras mais flexíveis por meio do programa Reinfo, criado em 2016 e originalmente com validade até 2020, hoje prorrogado. O potencial peso político e econômico desse público é inegável.

Estimativas apontam que cerca de 500 mil mineradores informais atuam no país, respondendo por aproximadamente US$ 11 bilhões em exportações de ouro em 2025. Esse montante representa quase metade do valor total das exportações de ouro do Peru e concentra-se em regiões rurais, onde o tema é decisivo para o pleito.

O Reinfo permite operação com menos licenças ambientais e operacionais do que a mineração formal. A ampliação do programa ocorreu diante do aumento do ouro no mercado global e do crescimento do setor informal, que ganhou força nos últimos anos.

Contexto econômico

A mineração responde por quase 12% do PIB peruano, integrando o elenco de grandes produtores de cobre, ouro e prata. Mesmo assim, regiões mineradoras carecem de infraestrutura básica e de investimento público, atraso que Sánchez prometeu enfrentar.

Conforme dados revisados pela Reuters, o apoio dos mineradores se distribuiu entre diferentes grupos políticos, enquanto o governo enfrentou dificuldades para retirar operadores irregulares do sistema. O Reinfo expira em 31 de dezembro, e não há sinal claro de desmontagem por parte de nenhum candidato.

Cenário político

Sánchez concentra boa parte de seu electorado rural, onde a mineração informal é mais presente. Fujimori tende a receber apoio nas áreas urbanas, mas busca consolidar votos entre regiões mineradoras ao prometer combate à mineração ilegal e melhoria do acesso a crédito estatal.

Apoio formal a Sánchez inclui propostas de redistribuição de concessões ociosas para mineradores artesanais e extensão do Reinfo por pelo menos três anos. Defensores do programa afirmam que ele sustenta milhões de trabalhadores em zonas pobres.

Operação e fiscalização

Entre 2025 e 2026, a fiscalização do Reinfo resultou na exclusão de mais de 50 mil titulares de permissões por descumprimento. No entanto, a estrutura do sistema se recompõe rapidamente, com milhares de novas nomeações de representantes legais em empresas registradas.

A maior titularidade de permissões pertence à Compañía Minera Agregados Calcáreos, que acumula 35 autorizações, porém perdeu 13 em 2025. A empresa pertence à Holcim Peru, conforme informações da Sunat, órgão tributário peruano.

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