- O Nordeste, que representa 27% do país, vem sendo visto como alvo de mudanças na preferência política, com risco de guinada à direita e ao centro.
- Entre os fatores, destacam-se a violência em estados como Bahia e Ceará, o menor impacto dos programas sociais e a emergência de uma nova classe média urbana.
- O PT mantém quatro governadores na região, mas pode perder espaços para Centrão, PSD, PP e PSDB, dependendo das eleições em estados como Bahia e Ceará.
- Em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra (PSD) ganhou força frente ao ex-prefeito João Campos do PSB, com vantagem em pesquisas divulgadas pelo Datafolha.
- O PT ainda é cabo eleitoral relevante em várias disputas, mas a vantagem de Lula na região pode recuar; pesquisa aponta 61% de intenção de voto no segundo turno contra Flávio Bolsonaro, contra 69% em janeiro.
Até a virada dos anos 2000, o Nordeste, que representa 27% do eleitorado do país, tinha voto mais plural. A chegada de Lula em 2003 mudou esse cenário, com crescimento econômico e programas sociais como o Bolsa Família. A região passou a ser considerada bastião da esquerda, vencendo eleições nacionais com folga em várias disputas.
Nos últimos pleitos, o PT acumula quatro governadores na região: Bahia, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte. Contudo, a sigla disputa hoje apenas com liderança em Piauí e Rio Grande do Norte. Em Bahia e Ceará, a renovação de mandatos aparece como desafio, enquanto o PSB pode perder parcerias importantes na Paraíba e no Maranhão.
A guinada recente envolve o papel de siglas do Centrão, PSD, União Brasil e PP, além do PSDB, que lideram em estados como Alagoas e Ceará. A direita e o centrismo passam a figurar como alternativas viáveis ao PT em estados-chave, ampliando o espaço para candidaturas de outras legendas.
Entre os temas que ajudam a entender esse movimento está a percepção de fadiga com governos de esquerda, especialmente pela segurança pública, com Bahia e Ceará entre os estados com altos índices de violência. A comunicação sobre programas sociais também é questionada em termos de impacto prático.
Especialistas destacam a mudança no perfil do eleitor nordestino, com uma classe média urbana mais sensível à inflação, ao custo de vida e à mobilidade. O eleitor busca resultados concretos, indo além de políticas distributivistas, segundo o cientista Murilo Medeiros, da UnB.
Em Pernambuco, terra natal de Lula, a disputa envolve Raquel Lyra, do PSD, que derrubou o PSB do poder em 2022, e João Campos, do PSB, herdeiro político de Arraes e Campos. A governadora tem investido em fortalecer vínculos com o governo federal, enquanto Campos depende de uma coalizão com o PT.
A avaliação do Datafolha em maio apontou vantagem de Lyra sobre Campos no primeiro turno, ampliando a possibilidade de decisão sem segundo turno. O cenário, porém, permanece aberto, com poucos indicadores que indiquem um caminho único para o Nordeste.
Em Sergipe, o desenho envolve o PSD com Fábio Mitidieri e o PL em posição de limitado alcance. No Ceará, a expectativa também é de disputa acirrada, com João Campos e outras alianças definidas. O ex-governador Ciro Gomes figura entre os nomes mencionados nesse quadro.
Mapa regional aponta ainda que não apenas a esquerda perde espaço. Flávio Bolsonaro tem tido poucos efeitos concretos no Nordeste, embora tenha tentado se aproximar da região. O PL disputa apenas Sergipe, mantendo distância de lideranças locais fortes em outras praças.
Em síntese, o Nordeste vive uma mudança de probabilidade eleitoral. A combinação de segurança pública, inflação, mobilidade e percepção de resultados pode redefinir alianças regionais. A partir de agora, várias disputas locais podem redefinir o cenário nacional, com o PT sob vigilância constante.
Fontes da reportagem indicam que, mesmo com a queda de influência anterior, Lula continua sendo cabo eleitoral relevante em muitos estados nordestinos. A reta final das eleições será marcada por ajustes estratégicos entre alianças nacionais e interesses locais, sem conclusão prevista ainda.
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