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Pré-candidato no RJ, ex-secretário de Polícia Civil ampliou promoções por bravura

Relatório aponta 1.095 promoções por bravura em um ano e meio da gestão de Felipe Curi, alvo de críticas por favorecer aliados e autopromoção

O delegado Felipe Curi, ex-secretário estadual de Polícia Civil do RJ e pré-candidato do PP, durante palestra em hotel em Copacabana
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  • O delegado Felipe Curi deixou a Secretaria de Polícia Civil do Rio de Janeiro em março para concorrer pelo PP a deputado federal, após ter sido nomeado em setembro de 2024 pelo governador Cláudio Castro.
  • Relatório da Alerj, com base em estudo do deputado Flavio Serafini, aponta que ocorreram 1.095 promoções por bravura em um ano e meio de gestão, média de 1,95 por dia, desempenho bem acima dos antecessores desde 2019.
  • Curi afirma que não houve irregularidade; as promoções são decididas pelo Conselho Superior de Polícia, órgão colegiado, ainda que ele tenha influência na composição do conselho.
  • O estudo associa promoções por bravura a megaincidentes com muitos mortos e critica a lei de 2022 que, segundo a análise, facilita controle político sobre a carreira; a reportagem cita uma promoção publicada em 25 de novembro de 2025.
  • Sindicatos questionam a transparência das promoções e defendem critérios objetivos; Curi sustenta que os rendimentos atuais são legais e decorrentes de promoções, gratificações e tempo de serviço.

O ex-secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro, delegado Felipe Curi, é alvo de questionamentos sobre as promoções por bravura concedidas durante sua gestão. Entre 2024 e 2025, ocorreram 1.095 promoções nesse tipo, segundo levantamento interno da Alerj, em um intervalo de um ano e meio.

A investigação, obtida pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, aponta que o total supera a soma dos seis secretários que antecederam Curi desde a criação da secretaria, em 2019. Curi não reconhece irregularidades, dizendo que as promoções dependem de um colegiado, o Conselho Superior de Polícia, e de sindicâncias.

O relatório socorre-se de alterações legais para sustentar que as promoções são resultado de processos iniciados antes e interrompidos pela legislação do Regime de Recuperação Fiscal. O deputado Flavio Serafini (PSOL) afirma que a norma de 2022 criou critérios subjetivos e favoreceu influências políticas dentro da polícia.

Promoções por bravura e controvérsia

Curi sustenta que o Conselho Superior de Polícia é quem decide, com critérios previstos em lei, e que as promoções não são uma ação do secretário. A gestão dele foi marcada por operações de grande visibilidade, ligadas a megaoperações, como as realizadas nos complexos da Penha e do Alemão.

A Alerj aponta que a lei complementar 204/2022 consolidou a prática, elevando o valor da bonificação em alguns casos. O relatório cita ainda que a cúpula policial poderia se beneficiar, inclusive o próprio Curi, com uma promoção publicada em novembro de 2025, quando estava afastado.

Autopromoção foi contestada pela defesa de Curi, que afirma que o ato ocorreu durante férias, com a assinatura da substituta. Segundo dados oficiais, o aumento de 20% não seria cumulável com novas bravuras, porém os contracheques apresentados mostram elevação a partir de novembro de 2025.

Rendimentos, críticas e respostas

Ao longo do mandato, os rendimentos brutos de Curi superaram o teto do funcionalismo, passando de valores entre 55 mil e 58 mil para acima de 64 mil em novembro de 2025. A defesa sustenta que os vencimentos seguem a lei, incluindo triênio e gratificações.

Sindicatos de classe criticam a falta de critérios objetivos, solicitando maior transparência. A atual gestão, sob o comando interino do governador, tem adotado postura mais cautelosa e revisita a condução de promoções. O sindicato representante dos delegados ressalta a necessidade de critérios impessoais para manter a credibilidade do mecanismo.

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