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Análise aponta necessidade de flexibilizar regras para atrair cias. low cost

Governo mira mercado único de aviação no Mercosul para atrair low cost, mas entraves regulatórios atrasam implementação

Frente fria no Rio de Janeiro
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  • O governo quer avançar, ainda este ano, na criação de um mercado único de aviação no Mercosul para ampliar a concorrência e atrair novas empresas, incluindo low cost da região.
  • Entre as companhias desejadas estão JetSMART (Chile) e Sky Airline, mas a entrada no Brasil depende de negociações comerciais e ajustes regulatórios.
  • A mudança regulatória principal é a revisão da Resolução 400 da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que trata dos direitos dos passageiros; adversidades judiciais são vistas como barreira para investimentos.
  • A proposta prevê exclusão de indenizações por força maior em casos de atrasos e interrupções, além de tratar de questões como franquia de bagagem e contornos de responsabilidade em crises operacionais.
  • A entrada de novas empresas pode levar tempo; mesmo em cenário favorável, efeitos concretos ficariam possivelmente a partir de meados de 2027, com desafios regulatórios e de fiscalização da Anac.

O governo trabalha para ampliar a concorrência na aviação brasileira por meio de um possível mercado único dentro do Mercosul. A ideia, anunciada pelo ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, prevê discutir a criação de um espaço comum ainda neste ano, com apresentação de uma proposta aos países do bloco em setembro. A finalidade é facilitar a entrada de novas companhias, inclusive low cost, a depender de negociações e ajustes regulatórios.

Franca indicou que o objetivo é atrair novas empresas para o mercado brasileiro, entre elas as chilenas JetSMART e Sky Airline. Apesar do interesse, o ministro ressaltou que a efetivação depende de acordos comerciais, adaptações regulatórias e de um processo que pode levar tempo. Em entrevista à CNN, ele mencionou que negociações poderiam começar em 2026, mas a operação efetiva exigiria etapas regulatórias e comerciais adicionais.

Mudanças regulatórias

O principal entrave regulatório para ampliar a concorrência é a revisão da Resolução 400 da Anac, que trata dos direitos dos passageiros. A proposta de atualização já passou por consulta pública e aguarda análise das contribuições. Em vigor desde 2016, a norma regula atrasos, cancelamentos, reembolsos, assistência e informações prestadas aos passageiros.

A mudança é vista como estratégica porque busca definir a responsabilidade das companhias em interrupções de operação. Há consenso entre algumas empresas de que o alto nível de judicialização freia investimentos. A proposta também discute excluir indenizações por força maior, como eventos climáticos extremos e indisponibilidade de infraestrutura, o que inclui casos recentes em São Paulo.

Desafios da relação com o consumidor e a infraestrutura

Conflitos entre passageiros e companhias não se limitam ao aspecto jurídico. Faltas de informações, filas longas e atendimento precário costumam gerar desgaste para o consumidor e elevar custos operacionais. A indefinição sobre a franquia de bagagem também persiste desde 2022, quando o Congresso não concluiu a análise de trecho do Voo Simples que previa despacho gratuito.

O modelo de cobrança separado, adotado por muitas low cost, é defendido como garantia de reduzir tarifas através de maior competição, embora não tenha resultado perceptível de imediato para o cidadão. O tema também envolve a comunicação falha de programas como o Voo Simples e efeitos de golpe de informações nas redes.

Panorama da cabotagem e prazos

Recentemente, o Congresso aprovou a ampliação da cabotagem na Amazônia Legal, permitindo que empresas estrangeiras operem voos internacionais para a região com conexão a destinos nacionais. Especialistas questionam a eficácia dessa medida para reduzir custos sem clareza regulatória adicional e com dúvidas sobre isonomia regulatória entre empresas nacionais e estrangeiras.

O conjunto de entraves — judicialização, dúvidas sobre bagagem, incertezas regulatórias e falhas de comunicação — explica parte das dificuldades de atrair novos operadores. A ideia de iniciar a integração pelo Mercosul é apresentada como alternativa viável, dada a familiaridade de empresas da região com o mercado.

Perspectivas de entrada de novas empresas

A entrada de companhias como JetSMART e Sky Airline poderia aumentar a oferta de voos de curta duração e de compra com pouca antecedência, segmentos em que as tarifas costumam ser mais elevadas. Mesmo com interesse, a operação depende de certificações, ajustes operacionais, negociação de slots e planejamento de malha aérea.

O Ministério de Portos e Aeroportos reconhece que, mesmo em cenário otimista, efeitos concretos podem surgir apenas em meados de 2027. A Anac, por sua vez, enfrenta restrições orçamentárias que reduzem atividades de fiscalização e certificação, o que pode atrasar o avanço regulatório necessário para ampliar a concorrência no setor.

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