- Câmara dos Deputados aprovou a proposta que elimina a escala 6×1, estabelecendo quarenta horas semanais com duas folgas; o tema ainda depende da aprovação do Senado.
- Especialistas afirmam que trabalhar seis dias por semana, com no mínimo oito horas diárias e deslocamentos, aumenta o estresse, a ansiedade e o risco de depressão e burnout.
- A sobrecarga afeta mais as mulheres, que acumulam tarefas de casa, cuidados com os filhos e acompanhamento da vida escolar.
- Pesquisas indicam que jornadas menores podem elevar a produtividade; na Universidade de Brasília houve experiência de flexibilização com resultados positivos.
- No Congresso, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, tem mostrado resistência à emenda, dizendo que é preciso tempo para analisar o tema; votação depende de garantia de tempo para avaliação.
A psicóloga Carla Antloga, professora da UnB, afirma que a jornada 6×1 tem impactos graves na saúde mental, sobretudo para quem trabalha seis dias por semana, incluindo fins de semana e feriados, por pelo menos oito horas diárias. Além do tempo de trabalho, soma-se o deslocamento, o almoço e cobranças por resultados.
Ela aponta que a soma de tarefas profissionais e responsabilidades domésticas aumenta o adoecimento mental e a precariedade nos cuidados com os filhos, além de reduzir a produtividade. A avaliação considera que o modelo atual não favorece o bem-estar nem a organização familiar.
A discussão ganhou espaço público após a Câmara dos Deputados aprovar a PEC que elimina a escala 6×1, estabelecendo 40 horas semanais com duas folgas. A mudança depende ainda da aprovação no Senado para virar regra.
Para a pesquisadora, organizações costumam ignorar a dimensão humana dos trabalhadores. A proposta de reduzir a carga horária é apresentada como forma de resgatar o equilíbrio entre vida pessoal e trabalho.
Quando a jornada chega a oito horas diárias, o tempo longe de casa ultrapassa 10 horas, contando deslocamento e descanso. A situação é ainda mais sensível para quem tem filhos, diz Antloga, que alerta para a dificuldade de conciliar cuidados e lazer.
Impacto diferenciado nas famílias
Para mulheres, especialmente mães solo, a sobrecarga é maior. A pesquisadora destaca que o dia livre semanal não resolve a distribuição de tarefas, que inclui lavar roupas, cozinhar e acompanhar a vida escolar dos filhos.
Mães que atuam em regime de 6×1 costumam dividir a comunicação com os filhos por meio de celulares, o que pode acentuar ansiedade e deixar as crianças expostas a conteúdos online durante momentos de folga da mãe.
Essa realidade também envolve cobranças sobre controle de tempo de tela e organização doméstica. Mesmo com menos dias de trabalho, muitas mães permanecem na disputa entre vida profissional e familiar.
Eficiência com jornadas menores
Estudos indicam que jornadas menores podem elevar a produtividade, desde que haja equilíbrio entre trabalho e descanso. Antloga cita evidências que associam jornadas de seis horas a maior foco e melhor desempenho.
Ela aponta experiências da própria universidade com flexibilização de horários. Ao reduzir a jornada, servidores relatam maior bem-estar e, segundo a pesquisadora, há aumento na produção.
Nesse cenário, o modelo de seis dias por semana permanece sob análise. No Congresso, há resistência do Senado a mudanças rápidas, com o objetivo de avaliar impactos para trabalhadores, empresas e economia.
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