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SP adia fiscalização automática de desvios em apartamentos populares para renda maior

Prefeitura de São Paulo suspende edital de fiscalização automática de imóveis populares com desvio para maior renda, citando aprimoramento de funcionalidades

Fachada de prédio com tapumes metálicos prateados e porta preta. Acima, placa amarela da Prefeitura de São Paulo anuncia empreendimento com unidades de habitação de interesse social. Calçada com árvore e poste visíveis em frente.
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  • A Prefeitura de São Paulo suspendeu edital para automatizar a fiscalização de desvios de apartamentos populares para famílias de maior renda, alegando necessidade de aprimoramento das funcionalidades.
  • O contrato anterior, assinado em 2025 com a empresa Smart Sky, estava na casa de R$ 43,7 milhões para sessenta meses, com pagamentos em 2025 e 2026, mas o sistema não entrou em operação.
  • A nova licitação, estimada em R$ 51,8 milhões para dois anos, foi suspensa às vésperas do resultado, após avaliação técnica da Secretaria Municipal de Habitação.
  • O Ministério Público de São Paulo acionou a prefeitura em maio, apontando omissão e atrasos no desenvolvimento do sistema de controle de moradias populares. Não se sabe, até o momento, quais unidades foram beneficiadas.
  • A gestão municipal afirma ter intensificado o controle das destinações de moradias populares e já aplicou multas de pelo menos R$ 13 milhões, envolvendo 732 apartamentos, em meio a investimento e fiscalização de HIS e HMP.

A Prefeitura de São Paulo suspendeu um edital para automatizar a fiscalização de apartamentos populares que estariam desviados para famílias de maior renda. A licitação, que já havia apresentado contrato em 2025, foi paralisada para aprimorar suas funcionalidades, segundo a gestão de Ricardo Nunes. A ideia era monitorar imóveis do programa habitacional com benefícios municipais.

A decisão ocorreu pouco antes da divulgação do resultado da licitação, prevista para 20 de maio. A avaliação técnica aponta que a estrutura atual exigia modernização para garantir eficiência, segurança e conformidade com as regras. O contrato estimado era de aproximadamente 51,8 milhões de reais por dois anos.

Não há, até o momento, identificação de endereços de unidades dentro de condomínios mistos. O levantamento público envolve informações por empreendimento, sem detalhar cada apartamento. O município segue levantando dados com apoio de cartórios e ações da Promotoria.

Em estudo interno, a área técnica municipal indicou a ausência de uma solução integrada de fiscalização de imóveis. O documento afirma que a infraestrutura tecnológica atual demanda atualização para manter a capacidade de gestão das políticas habitacionais.

O Ministério Público de São Paulo acionou a prefeitura em maio, apontando omissão e demora no desenvolvimento do sistema de controle, monitoramento e fiscalização de unidades HIS e HMP. A Promotoria pediu ações mais céleres para coibir desvios.

Até 2025, a gestão já multou imóveis e anunciou novas medidas de controle. A prefeitura afirma ter ampliado controles, com decretos e portarias que obrigam publicidade da destinação social em empreendimentos e aplicação de multas.

O balanço aponta que, hoje, não há um procedimento interno de monitoramento contínuo. A fiscalização depende de denúncias da Promotoria e de convênios com cartórios para identificar desvios nos projetos de moradia.

A licitação anterior teve contrato com a empresa Smart Sky, no valor de 43,7 milhões de reais por 60 meses. Em 2025, foram pagos cerca de 5,3 milhões e havia empenho de 9,3 milhões para 2026. O sistema previsto não chegou a operar.

Segundo a prefeitura, houve avanços de controle sobre a destinação de moradias populares. Entre as medidas estão novos decretos, portarias e a obrigatoriedade de publicidade de usos sociais das unidades.

A gestão também reforça que o quadro de HIS e HMP envolve incentivos criados pelo Plano Diretor de 2014 e pela Lei de Zoneamento de 2016. Esses mecanismos permitem, entre outras coisas, flexibilizações urbanísticas e produção de moradias com renda específica.

A reportagem apurou que, segundo dados oficiais, ao menos 926 processos de irregularidade foram abertos envolvendo HIS e HMP, correspondentes a aproximadamente 171 mil unidades. A maioria das moradias produzidas continua em conformidade com as regras.

  • HIS-1: renda familiar de até 3 salários mínimos, até 4.863 reais mensais.
  • HIS-2: renda familiar de 3 a 6 salários mínimos, até 9.726 reais.
  • HMP: renda familiar de 6 a 10 salários mínimos, até 16.210 reais.

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