- A Copa do Mundo, que termina em 19 de julho, levará as convenções partidárias a definirem candidaturas até 5 de agosto.
- Candidatos devem ocupar espaço na cobertura e recorrer a referências do futebol para ganhar visibilidade.
- O histórico de 32 anos mostra que o desempenho do Brasil no Mundial costuma não influenciar o voto do eleitorado, exceto em regimes autoritários.
- Exemplos citados: o regime de Garrastazu Médici em 1970; as disputas de 1994 e o Plan Real; eliminações em 1998 e 2010; vitórias em 2002 e fases seguintes.
- Mesmo com esse padrão, o tema deverá retornar à pauta pública durante as próximas semanas.
A Copa do Mundo já começou, e a imprensa política prepara o terreno: líderes vão buscar manter acesa a agenda eleitoral mesmo com o torneio em andamento. O desinteresse do público tende a aumentar nas próximas semanas.
Enquanto o campeonato segue, o período de convenções partidárias começa a fechar o calendário eleitoral. O fim da Copa, em 19 de julho, antecede o início dessas etapas, que vão até 5 de agosto para definir candidaturas majoritárias e proporcionais.
Candidatos a presidente, governadores, senadores e deputados não ficarão quietos. Eles devem ocupar espaço no noticiário e recorrer a referências futebolísticas, mesmo que pareçam forçadas aos torcedores.
Contexto histórico
A ciência política aponta que, no Brasil, a relação entre desempenho esportivo e resultado eleitoral não se sustenta em regimes democráticos. Regimes autoritários, porém, registraram associações entre vitórias no futebol e popularidade de liderança.
Entre os exemplos históricos, destacam-se períodos de poder centralizado que coincidiram com conquistas esportivas, ainda que não haja eleição naquele momento. Em transformações políticas posteriores, o desempenho da seleção não garantiu vantagem eleitoral.
Na sequência, há casos em que o Brasil avançou ou foi eliminado em fases distintas, e as sondagens refletiram outros fatores. Em 1994, o ano da eleição, o país viveu o Plano Real; em 2002, o Pentacampeonato ocorreu sob governo diferente do eleito, e houve alternância de vínculo entre esporte e política.
O tema volta a emergir com frequência antes de grandes disputas eleitorais, independentemente do estágio do Mundial. A cobertura aponta para a persistência desse entrelaçamento como recurso da comunicação política, sem comprovar efeito direto sobre o voto.
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