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Nísia Trindade critica expulsão de casas de repouso em SP

Nísia Trindade critica expulsões de casas de repouso em São Paulo, apontando idadismo estrutural e falhas na proteção social aos idosos como reflexo do caso

Nísia Trindade (Ueslei Marcelino/Divulgação)
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  • Moradores da Lapa, em São Paulo, tentam expulsar cerca de 40 casas de repouso para idosos e houve cassação de alvarás de funcionamento de algumas entidades pela prefeitura, segundo relatos da imprensa.
  • A cientista social Nísia Trindade afirmou que o caso expõe preconceito contra idosos e evidencia o idadismo, chamando a situação de revoltante e um alerta para posicionamentos públicos.
  • Ela aponta que o Estatuto da Pessoa Idosa prevê punições para discriminação por idade, e que o idadismo pode configurar crimes no Código Penal, recomendando denúncias igualitárias a crimes de racismo e de gênero.
  • A pesquisadora defende educação permanente sobre envelhecimento no SUS e no SUAS, além de maior integração entre os sistemas de saúde e assistência social para cuidar dos idosos.
  • Sobre políticas públicas, Nísia enfatiza a necessidade de ampliar a rede de cuidados de longa duração, fortalecer a Política Nacional de Cuidados e manter programas como Melhor em Casa, com foco em proteção social e saúde da população idosa.

Moradores da Lapa, na zona oeste de São Paulo, tentam expulsar 40 casas de repouso da região. A ofensiva, nas últimas semanas, gerou acusações de perseguição e etarismo, e levou a um processo contra a gestão do prefeito Ricardo Nunes. A atuação da prefeitura também é tema de debate público.

A sanitarista e socióloga Nísia Trindade, ex-ministra da Saúde e ex-presidenta da Fiocruz, comentou o caso. Ela criticou as atitudes que classificou como desrespeitosas aos idosos, destacando o contraste entre o medo da morte e a necessidade de redes de cuidado dignas. A fala ocorreu em entrevista para a coluna GENTE.

A especialista revelou que o episódio expõe um problema estrutural: o etarismo, ou idadismo, que envolve preconceitos contra a idade e a negação do envelhecimento. Ela aponta falhas da gestão pública na proteção social e na oferta de moradias adequadas para idosos como facets desse comportamento institucional.

Contexto e impactos

Segundo a visão da entrevistada, o caso evidencia um déficit de redes de cuidado que acolham pessoas idosas. Ela associa tais ações a um problema cultural mais amplo, com expressões de hostilidade a pessoas idosas em determinadas respostas sociais e políticas locais.

A discussão envolve ainda o arcabouço legal. O Estatuto da Pessoa Idosa prevê punições para discriminação e humilhação com base na idade, e há dispositivos penais que podem enquadrar injúria etária. Especialistas destacam a importância de denúncias e de ações educacionais para profissionais de saúde e assistência social.

Caminhos para envelhecimento digno

A entrevistada defende que o envelhecimento digno seja prioridade de política pública. Ela cita melhoria da integração entre o SUS e o SUAS e a necessidade de ampliar a proteção social para idosos. Além disso, defende financiamento estável de políticas públicas voltadas ao cuidado.

Estimativas do IBGE apontam que, em 2030, o número de pessoas com 60 anos ou mais deve superar o de crianças até 14 anos, tornando-se um dos maiores grupos etários. Em 2050, um terço da população brasileira deverá ser idoso. A proposta é fortalecer a Política Nacional de Cuidados, com foco em atenção domiciliar e cuidados na Estratégia de Saúde da Família.

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