- A mostra de Andrea Eichenberger na Aliança Francesa, em Botafogo, Rio de Janeiro, foi cancelada horas antes da abertura marcada para 14 de maio.
- A série apresentava símbolos associados à polarização política no Brasil, como a “coxinha”, a “mortadela” e uma arminha com a camiseta da seleção.
- A diretora-geral Nathalie Lacoste-Yebra informou por mensagem que a instituição busca neutralidade política e que, por isso, não poderia prosseguir com a exposição nem com a inauguração.
- A artista chegou ao Rio no dia anterior e disse que a decisão foi tomada na véspera, sem respostas claras de quem ficaria responsável pela coordenação local.
- A proposta deve ser retomada no final do ano, no festival FotoRio, com possibilidade de virar livro.
A Aliança Francesa do Rio de Janeiro cancelou a exposição de fotos da fotógrafa Andrea Eichenberger, prevista para ser aberta em Botafogo no dia 14 de maio. A decisão ocorreu horas antes da inauguração, por questões de neutralidade política da instituição.
A série de imagens buscava evidenciar como símbolos carregam significados distintos dependendo do contexto social e político. As obras seriam apresentadas com textos de aproximadamente 50 pesquisadores de várias áreas.
Contexto da exposição
Eichenberger é catarinense, vive em Paris há mais de 20 anos, e reuniu objetos e gestos desde as manifestações de junho de 2013 até ocorrências recentes no Brasil. Entre os objetos estudados estão itens como a coxinha, associada a conservadores, e a arminha com a mão, ligada a apoiadores de determinadas figuras políticas.
O cancelamento foi comunicado pela diretora-geral da Aliança Francesa no Rio de Janeiro, Nathalie Lacoste-Yebra, que está em férias. Uma mensagem enviada por texto à artista informou a suspensão da exposição e da inauguração, citando a necessidade de manter a neutralidade política da instituição.
Reações e desdobramentos
Segundo a artista, a decisão refletiu a postura institucional de não associar-se a posicionamentos políticos explícitos, mesmo diante do valor artístico do projeto. Ela afirmou que a mudança de planos na véspera dificultou a organização e que o material já estava pronto para ser exibido.
Eichenberger disse ainda que, apesar do impacto, não julga a atitude da instituição, mas espera por uma reparação adequada, uma vez que o projeto já havia sido desenvolvido ao longo de cerca de um ano e as obras já estavam montadas na unidade. A artista não revelou detalhes sobre o que ocorreria com o material.
A produção segue em suspenso, com planos de reapresentação. A fotógrafa mantém a convicção de que discutir símbolos políticos é necessário para o diálogo público. O material deve retornar aos holofotes no final deste ano, durante o festival FotoRio, no Rio, com possibilidade de publicação em formato de livro.
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