- A ex-secretária do Bem-Estar Animal de Canoas, Paula Lopes, foi presa na segunda-feira (15), sob suspeita de participação em um esquema de eutanásias em massa.
- Dois veterinários também foram presos, incluindo uma mulher que atuava no órgão, acusados de desviar doações para tratamentos que nunca ocorreram.
- A investigação aponta pelo menos quatrocentos e setenta e oito procedimentos em oito meses, com animais encaminhados para incineração numa universidade.
- Ao todo, o instituto recebeu cerca de R$ 670 mil de doações de quase quinze mil pessoas; polícia afirma que mortes ocorreram para lucro e não por piedade.
- Foram apreendidos celulares e computadores, e houve o resgate do cachorro Dudu, utilizado em pedidos de Pix nas redes sociais.
A ex-secretária do Bem-Estar Animal de Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre, Paula Lopes, foi presa nesta segunda-feira (15) em uma operação da Polícia Civil. Além dela, dois veterinários foram detidos, entre eles uma mulher que também atuava no órgão municipal. O crime investigado é o desvio de valores de doações por meio de eutanásias em massa de cães e gatos.
A apuração teve início em 2025. Na primeira fase, deflagrada em setembro, a polícia cumpriu mandados na sede da secretaria, na casa e no sítio da ex-secretária, além da residência da veterinária que atuava junto ao órgão. Segundo as autoridades, houve uso indevido de recursos destinados a tratamentos.
Foram identificados 478 procedimentos de eutanásia em oito meses, segundo a investigação. Os animais, segundo apuração, eram encaminhados para incineração em uma universidade, desviando recursos de doações. A denúncia partiu de usuários do serviço e de agentes da própria secretaria.
Os investigadores apontam que a ex-secretária usava a condição de protetora de animais para facilitar os crimes. Em um caso, uma cadela com cinomose recebeu atendimento, mas a decisão de eutanásia foi tomada sem confirmação diagnóstica. Em outra situação, houve pedido de doações para custear suposto tratamento.
Mudança de tema: continuidade do esquema
Mesmo após a exoneração em agosto de 2025, o esquema continuou operando em um sítio ligado a uma suposta ONG. Paula Lopes atuava na Secretaria desde 2020, com mais de 500 procedimentos registrados ao longo do período, e a instituição da qual faz parte recebeu cerca de R$ 670 mil de doações de quase 15 mil pessoas.
A delegada responsável pela investigação afirmou que muitos casos não configuravam necessidade de eutanásia e que os registros de microchips estão sendo verificados para estimar quantas vidas teriam sido sacrificadas. Além de Paula e dos veterinários, foram apreendidos celulares, computadores e outras provas.
Desdobramentos
Entre os itens apreendidos, estavam evidências que sustentam os desdobramentos da apuração. Também foi resgatado o cão Dudu, utilizado para solicitações de pix nas redes sociais. A polícia não informa detalhes de procedimentos legais pendentes ou eventual responsabilização de outras pessoas.
A CNN Brasil não obteve contato imediato com a defesa de Paula Lopes. As autoridades seguem reunindo documentos para esclarecer a extensão do suposto desvio e identificar possíveis vítimas.
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