- Visitantes de Delaney Hall, em Newark, Nova Jérsei, dizem que regras arbitrárias de vestimenta impedem visitas, repetidamente rejeitando famílias por roupas consideradas “provocativas”.
- O código proíbe itens como Crocs, sapatos abertos, leggings, vestidos curtos e roupas justas; regras mudam com frequência e já impediram visitas de crianças e adultos.
- Famílias relatam experiências específicas: bebê em onesie, menina de quatro anos em leggings e mães rejeitadas por roupas consideradas inadequadas, gerando ansiedade e atrasos nas visitas.
- Em meio a protests e denúncias de más condições, o estado de Nova Jérsei processou o proprietário Geo Group para aumentar o acesso de inspetores de saúde; DHS afirmou que inspetores já tinham acesso e que não houve greve de fome.
- Voluntários ligados ao movimento #EyesOnIce distribuem roupas gratuitamente aos visitantes rejeitados, para que possam ver seus familiares durante as visitas.
Gabriela Soto viu o marido ser detido em Delaney Hall, em Newark, New Jersey, em janeiro. Desde então, ela atravessa meses de estresse, acompanhando as crianças e custeando processos legais relacionados ao asilo. A cada visita, enfrenta regras de vestimenta que variam conforme o dia.
A família já teve visitas recusadas mais de 10 vezes por supostas violações do dress code. Em um incidente, um guarda quase barrava a entrada por causa de um body de bebê. Em outra ocasião, a filha de quatro anos foi impedida por usar leggings. Os funcionários dizem que as roupas são consideradas provocativas.
Além das recusas, a cobertura recente ganhou fôlego com protestos diante da unidade. Enquanto parte da mobilização cobra acesso de inspetores estaduais, o DHS afirma que a inspeção de saúde já é permitida e que não houve greve de fome. Procuradas, ICE e Geo Group não forneceram comentários detalhados.
Mudanças de regras na Delaney Hall
Desde a abertura, em maio do ano passado, governantes da instituição impõem regras rígidas de vestimenta para visitantes com 12 anos ou mais. Muitas famílias vêm de estados distantes, como Texas, para tentar ver parentes detidos, e relatam ajustes frequentes nas regras. Calçados abertos, legging, vestidos curtos e roupas justas costumam ser alvo de rejeição.
Relatos indicam que itens como Crocs costumam ser rejeitados por serem abertos. Em alguns casos, guardas alteram a leitura da norma entre uma inspeção e outra, gerando confusão entre visitantes. Entre reações de visitantes, há relatos de que itens como saias até os joelhos são aceitáveis, desde que cumpram as diretrizes de comprimento.
Familiares relatam ainda casos de fiscalização inconsistente, com crianças pequenas às vezes barradas e, em outras visitas, permitidas. De acordo com ativistas, a aplicação das regras é marcada por alterações sem aviso prévio, o que aumenta a ansiedade durante as visitas.
Impacto nas famílias
Ativistas do movimento #EyesOnIce distribuem roupas gratuitamente em dias de visita para reduzir impactos das recusas. Voluntários ajudam dezenas de visitantes a manter o direito de ver os detidos, segundo relatos coletados no local. Em alguns dias, a ajuda inclui itens desde roupas infantis até peças maiores.
Casos de rejeição variam conforme o dia e o oficial de plantão, o que causa atrasos de até horas nas visitas. Familiares relatam ainda situações em que itens simples, como uma camiseta sem sutiê, chegam a gerar impedimento de entrada, segundo depoimentos recolhidos pela imprensa.
Autores de campanhas ressaltam que as regras de vestimenta pesam sobre quem já enfrenta dificuldades emocionais e logísticas. Enquanto a administração pública sustenta que há inspeções sanitárias em curso, opositores pedem maior transparência na aplicação das normas e maior consistência entre os agentes.
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