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Justiça de SP derruba decreto de Nunes que flexibilizava barulho em obras

Justiça de São Paulo derruba decreto que flexibilizava ruído em obras; desembargadores entendem que prefeitura excedeu normas ambientais federais

Obras do Art Boulevard, entre a avenida 9 de Julho e a avenida Cidade Jardim, na zona sul de São Paulo
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  • O Tribunal de Justiça de São Paulo derrubou o decreto da prefeitura que flexibilizava o barulho em obras na capital, considerado além do permitido pela legislação federal.
  • A decisão foi unânime: o município não pode adotar padrões de proteção ambiental inferiores aos nacionais.
  • O decreto editado em 2021 autorizava ruídos de até 85 decibéis diurnos e 59 decibéis noturnos em canteiros, além de dispensar terraplanagem, fundações e demolições de seguir esses limites.
  • A prefeitura argumentou que o decreto apenas regulamentava uma lei existente, mas os desembargadores entenderam que criou regras novas e abriu exceções para atividades específicas.
  • O caso surge enquanto a gestão de Nunes tenta aprovar na Câmara um projeto que reproduz parte das regras derrubadas e altera o Psiu, em meio a dezenas de mil queixas de barulho em 2025.

O Tribunal de Justiça de São Paulo derrubou o decreto do prefeito Ricardo Nunes (MDB) que flexibilizava o barulho em obras na capital. A decisão foi tomada de forma unânime pelo Órgão Especial, após ação da Procuradoria-Geral de Justiça.

Os desembargadores entenderam que a prefeitura extrapolou a legislação ao adotar regras mais permissivas que as normas federais de proteção ambiental. O relator, desembargador Ademir Benedito, afirmou que o interesse local não pode reduzir padrões nacionais.

O decreto editado em 2021 permitia ruídos de até 85 decibéis durante o dia e 59 decibéis à noite em canteiros, além de dispensar terraplanagem, fundações e demolições do alinhamento de barulho. Também havia tratamento diferenciado para obras públicas e carga/descarga em horários específicos.

Motivo da decisão

Desembargadores entenderam que a prefeitura criou regras novas, ao invés de regulamentar uma lei existente, o que configuraria risco ambiental incompatível com normas federais. O acórdão sustenta que o município não pode adotar padrões inferiores aos nacionais.

Contexto administrativo

A decisão ocorre enquanto a gestão Nunes tenta aprovar na Câmara Municipal um projeto de lei que repete parte das regras derrubadas e altera o Psiu, o Programa do Silêncio Urbano. A proposta mantém os limites de ruído para obras e prevê exceções para algumas fases da construção.

Em 2025, a Prefeitura de São Paulo registrou cerca de 50 mil chamados ao Psiu, evidenciando o aumento de reclamações sobre barulho na cidade.

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