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Bicheiro fala ao pai de Vorcaro sobre gravidade após operação da PF

Relatório da Polícia Federal revela mensagens que mostram urgência em alinhar defesas entre Henrique Vorcaro e Manoel Mendes Rodrigues após prisões da milícia de Vorcaro

O bicheiro Manoel Manolo Rodrigues, preso pela PF — Foto: Reprodução/g1
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  • A Polícia Federal apresentou ao Supremo Tribunal Federal mensagens entre Henrique Vorcaro e Manoel Mendes Rodrigues (Manolo), apontado como bicheiro no Rio de Janeiro, que mostram preocupação com o avanço das investigações e tentativas de contato com advogados.
  • As conversas, feitas por Whatsapp entre 13 e 19 de março deste ano, ocorreram dias após a terceira fase da operação Compliance Zero, que prendeu Daniel Vorcaro e dois integrantes da chamada “Turma”.
  • Manolo pressiona para falar com advogados de Daniel Vorcaro e cobra alinhamento das defesas, chegando a mencionar a necessidade de contato com advogados específicos.
  • A PF afirma que os diálogos indicam que, mesmo não sendo alvo de operações, ambos já buscavam articular teses defensivas antecipadamente, supondo novos desdobramentos da investigação.
  • Advogados mencionados negaram ter tido contatos com Manoel Rodrigues; a defesa de Henrique Vorcaro classificou o relatório como sem novidades, ressaltando contratos de vigilância de um terreno no Rio de Janeiro.

A Polícia Federal apresentou ao STF um conjunto de mensagens entre o empresário Henrique Vorcaro e Manoel Mendes Rodrigues, conhecido como Manolo, apontado como bicheiro no Rio. Os diálogos, tornados públicos nesta terça (16) pelo ministro André Mendonça, demonstram preocupação com o andamento das investigações e tentativas de contato com advogados de Daniel Vorcaro. A PF sustenta que as conversas evidenciam a intenção de alinhar defesas após a prisão de dois integrantes do grupo conhecido como “A Turma”.

Os diálogos ocorreram entre 13 e 19 de março deste ano, dias após a terceira fase da operação Compliance Zero, que prendeu Daniel Vorcaro e dois membros da milícia citada. A PF recuperou as mensagens nos celulares de Henrique e Manolo, apresentando um relatório parcial ao STF com os trechos considerados mais relevantes.

Conteúdo das conversas

No dia 13, após uma chamada de vídeo, Manolo questionou se Henrique havia obtido o contato do criminalista Roberto Podval, que defendia Daniel Vorcaro até ser detido. Henrique informou ter passado o contato ao amigo. A troca também cita o contato de outro advogado, Sergio Leonardo, que segue na defesa de Vorcaro.

No dia 14, Manolo cobrou confirmação sobre contato com o advogado, enquanto Henrique relatou que o profissional estava fora da área, mas disse que tentaria falar com ele. Aos poucos, houve nova cobrança para alinhar defesas, mesmo antes de qualquer decisão sobre colaboração premiada.

Avanço das investigações

No dia 16, Manolo pressionou novamente Henrique, que respondeu que o contato com o material de defesa ainda seria feito. A PF destacou que, mesmo não sendo alvo direto de novas operações, os chegaram a planejar teses defensivas antecipadamente, indicando possível receio de desdobramentos.

Também consta, em 19 de março, a menção de que um advogado estaria indisponível, levando Manolo a solicitar novo contato com um defensor entre Brasília e São Paulo. Na sequência, o diálogo cita a defesa de Vorcaro envolvendo o advogado Eugênio Pacelli, indicado pela PF como referência de defesa de Henrique.

Reações das defesas

Procurados, os advogados Roberto Podval e Sergio Leonardo negaram ter mantido contatos com Manolo. A defesa de Henrique Vorcaro afirmou que o relatório não traz novidades e que há relação contratual com o bicheiro para serviços de vigilância de terreno no Rio de Janeiro, conforme documentação existente.

Segundo a defesa, os contratos diziam respeito a serviços de segurança para um terreno de cerca de 120 hectares na zona oeste do Rio. O ministro Mendonça divulgou o conteúdo para esclarecer o andamento do caso e justificar a manutenção da prisão de Vorcaro e de Manolo.

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