- Senadores democratas e um republicano, liderados por Jeff Merkley e Lisa Murkowski, enviaram cartas à National Science Foundation para reverter a decisão de desmontar a Ocean Observatories Initiative, rede de mais de 900 sensores no oceano, que custa $386 milhões e deveria durar mais de uma década.
- A NSF planeja remover a maior parte dos instrumentos até 2027, numa ação descrita pela agência como “desescalonamento” para priorizar prioridades científicas emergentes.
- Grupos democratas criticaram a medida como ilegal, alegando falta de consulta e de avaliação científica, e pedem uma revisão completa com participação da comunidade científica.
- Comissões da Câmara dos Deputados também cobram que a NSF cesse o corte e realize avaliação formal, apontando riscos para monitoramento de correntes, ecossistemas e eventos climáticos extremos.
- Cientistas já preparam a retirada da primeira bóia da costa de Oregon; parlamentares citam o El Niño como motivo para manter o monitoramento ativo.
A coalizão de senadores e comitês da Câmara pediu nesta segunda-feira à National Science Foundation (NSF) que reverta a decisão de desativar a Ocean Observatories Initiative, uma rede de sensores oceânicos. A mobilização envolve tanto democratas quanto uma vereia republicana, e busca impedir o desmonte do projeto no curto prazo.
A Ocean Observatories Initiative é composta por mais de 900 sensores espalhados por áreas como Oregon, Washington, Alasca, Carolina do Norte e Groenlândia. Com custo de 386 milhões de dólares, o sistema monitora circulação oceânica, ecossistemas marinhos, mudanças climáticas e eventos extremos, gerando dados abertos para a comunidade científica e mais de 500 publicações.
A NSF planejou remover a maior parte dos instrumentos até 2027, decisão anunciada sem aviso prévio ou revisão científica, segundo críticas de pesquisadores. A agência afirmou que o movimento não é cancelamento, mas “descoping”, alinhado a prioridades científicas em evolução.
O senador Jeff Merkley, de Oregon, classificou a medida como “suprema estupidez” e afirmou que o desligamento sem aprovação do Congresso viola a separação de poderes. Tanto Merkley quanto a senadora Lisa Murkowski, do Alasca, assinaram a carta conjunta, que pede consulta à comunidade científica marítima e revisão detalhada antes de qualquer ação adicional.
Entre os signatários do textode senadores estão Edward Markey, Elizabeth Warren, Tammy Baldwin, Patty Murray, Maria Cantwell, Sheldon Whitehouse, Chris Van Hollen e Ron Wyden. Os documentos ressaltam que a eliminação do sistema poderia comprometer a segurança costeira, a monitorização de correntes e a previsibilidade de eventos climáticos.
Pelo lado da Câmara, congressistas democratas de comitês de ciência e recursos naturais enviaram uma carta conjunta exigindo a suspensão do corte e a interrupção de quaisquer ações até avaliação legal e técnica completa. A liderança ficou a cargo de Zoe Lofgren e Jared Huffman, com apoio de 23 membros de cada comissão.
Em nota divulgada em 3 de junho, a NSF disse que a decisão foi embasada em um relatório de 2025 da National Academies sobre o futuro da ciência oceânica. A agência afirmou manter o compromisso com a ciência oceânica e continuar trabalhando com a comunidade científica em objetivos prioritários.
Os cortes na observação oceânica integram um movimento maior de redução de programas ambientais e climáticos no governo de Donald Trump, que tem buscado reduzir agências, como o NOAA e a EPA, além de flexibilizar regulações de emissões. A legislação de uso de recursos exige que a NSF comunique comissões de orçamento com antecedência mínima de 30 dias para desativação de ativos avaliados em mais de 2,5 milhões de dólares.
Os parlamentares destacaram ainda a proximidade do fenômeno El Niño, que acentua padrões climáticos e ondas de calor marinhas, como argumento para não adiar a avaliação. Se a desativação continuar, comunidades costeiras, pescadores e serviços de emergência podem perder dados críticos para preparação e resposta.
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