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Legisladores dos EUA contestam cortes de 386 milhões em monitoramento oceânico

Senadores e representantes pressionam a Fundação Nacional de Ciências a reverter o desmonte da Ocean Observatories Initiative, citando ilegalidade e risco ao monitoramento oceânico undertøy

In this 2021 image provided by the Woods Hole Oceanographic Institution, workers walk near buoys used to gather data at the Pioneer New England shelf off the coast of Martha’s Vineyard, Massachusetts.
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  • Senadores democratas e um republicano, liderados por Jeff Merkley e Lisa Murkowski, enviaram cartas à National Science Foundation para reverter a decisão de desmontar a Ocean Observatories Initiative, rede de mais de 900 sensores no oceano, que custa $386 milhões e deveria durar mais de uma década.
  • A NSF planeja remover a maior parte dos instrumentos até 2027, numa ação descrita pela agência como “desescalonamento” para priorizar prioridades científicas emergentes.
  • Grupos democratas criticaram a medida como ilegal, alegando falta de consulta e de avaliação científica, e pedem uma revisão completa com participação da comunidade científica.
  • Comissões da Câmara dos Deputados também cobram que a NSF cesse o corte e realize avaliação formal, apontando riscos para monitoramento de correntes, ecossistemas e eventos climáticos extremos.
  • Cientistas já preparam a retirada da primeira bóia da costa de Oregon; parlamentares citam o El Niño como motivo para manter o monitoramento ativo.

A coalizão de senadores e comitês da Câmara pediu nesta segunda-feira à National Science Foundation (NSF) que reverta a decisão de desativar a Ocean Observatories Initiative, uma rede de sensores oceânicos. A mobilização envolve tanto democratas quanto uma vereia republicana, e busca impedir o desmonte do projeto no curto prazo.

A Ocean Observatories Initiative é composta por mais de 900 sensores espalhados por áreas como Oregon, Washington, Alasca, Carolina do Norte e Groenlândia. Com custo de 386 milhões de dólares, o sistema monitora circulação oceânica, ecossistemas marinhos, mudanças climáticas e eventos extremos, gerando dados abertos para a comunidade científica e mais de 500 publicações.

A NSF planejou remover a maior parte dos instrumentos até 2027, decisão anunciada sem aviso prévio ou revisão científica, segundo críticas de pesquisadores. A agência afirmou que o movimento não é cancelamento, mas “descoping”, alinhado a prioridades científicas em evolução.

O senador Jeff Merkley, de Oregon, classificou a medida como “suprema estupidez” e afirmou que o desligamento sem aprovação do Congresso viola a separação de poderes. Tanto Merkley quanto a senadora Lisa Murkowski, do Alasca, assinaram a carta conjunta, que pede consulta à comunidade científica marítima e revisão detalhada antes de qualquer ação adicional.

Entre os signatários do textode senadores estão Edward Markey, Elizabeth Warren, Tammy Baldwin, Patty Murray, Maria Cantwell, Sheldon Whitehouse, Chris Van Hollen e Ron Wyden. Os documentos ressaltam que a eliminação do sistema poderia comprometer a segurança costeira, a monitorização de correntes e a previsibilidade de eventos climáticos.

Pelo lado da Câmara, congressistas democratas de comitês de ciência e recursos naturais enviaram uma carta conjunta exigindo a suspensão do corte e a interrupção de quaisquer ações até avaliação legal e técnica completa. A liderança ficou a cargo de Zoe Lofgren e Jared Huffman, com apoio de 23 membros de cada comissão.

Em nota divulgada em 3 de junho, a NSF disse que a decisão foi embasada em um relatório de 2025 da National Academies sobre o futuro da ciência oceânica. A agência afirmou manter o compromisso com a ciência oceânica e continuar trabalhando com a comunidade científica em objetivos prioritários.

Os cortes na observação oceânica integram um movimento maior de redução de programas ambientais e climáticos no governo de Donald Trump, que tem buscado reduzir agências, como o NOAA e a EPA, além de flexibilizar regulações de emissões. A legislação de uso de recursos exige que a NSF comunique comissões de orçamento com antecedência mínima de 30 dias para desativação de ativos avaliados em mais de 2,5 milhões de dólares.

Os parlamentares destacaram ainda a proximidade do fenômeno El Niño, que acentua padrões climáticos e ondas de calor marinhas, como argumento para não adiar a avaliação. Se a desativação continuar, comunidades costeiras, pescadores e serviços de emergência podem perder dados críticos para preparação e resposta.

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