- O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, divulgou o pied‑à‑terre tax sobre imóveis de segunda residência, estimando uma arrecadação de cerca de US$ 500 milhões por ano de aproximadamente 11.200 propriedades.
- A cobrança começará em 1º de julho e mira grandes propriedades em áreas de alto padrão; o imposto é apoiado pela governadora estadual, Kathy Hochul.
- No Reino Unido, o líder trabalhista Keir Starmer e a secretária Rachel Reeves têm pesquisado medidas semelhantes, como taxa de luxos sobre casas de alto valor, visando bairros super-prime.
- Especialistas dizem que essas taxas ajudam a financiar serviços e a discutir o papel da riqueza na cidade, mas não resolvem sozinhas a crise habitacional; há controvérsia sobre fuga de bilionários.
- O debate atual aponta para a necessidade de medidas que ataquem a financeiração do mercado imobiliário e políticas monetárias inflacionárias.
A cidade de Nova York encara a taxação de residências de ultrarricos com foco em imóveis não residenciais. O prefeito Zohran Mamdani gravou um vídeo em Billionaires’ Row para anunciar, na prática, uma taxação de cerca de US$ 500 milhões ao ano, válida para cerca de 11 mil imóveis. A medida entra em vigor em 1º de julho.
O movimento ocorre perto do penthouse de Ken Griffin, bilionário do hedge fund. A prefeitura aponta que a taxação de pied-à-terre pretende financiar serviços essenciais e reduzir distorções no mercado imobiliário, usando dados do controlador de NYC, Mark Levine. A proposta se insere num debate sobre riqueza e moradia.
Paralelamente, no Reino Unido, Keir Starmer e a ministra Rachel Reeves têm avançado com políticas semelhantes a nível de alto patrimônio, incluindo tributação sobre imóveis de luxo e um “mansion tax” anunciado no orçamento do ano anterior. As medidas visam áreas de alto valor, chamadas de super-prime.
Contexto internacional
A taxação de pieds-à-terre, segundo análises, desloca o foco para áreas centrais de cidades, onde imóveis luxuosos costumam ficar vazios. Em Londres, pesquisas indicam grande porcentagem de imóveis vazios em distritos nobres, alimentando o debate sobre acessibilidade habitacional.
Para além de Nova York, as políticas discutidas são vistas como instrumentos de arrecadação que ajudam a sustentar serviços públicos, sem necessariamente resolver todas as causas da crise de moradia. Especialistas destacam a financeirização imobiliária e políticas monetárias pós-crise de 2008 como raízes do problema.
Desdobramentos políticos
No Brasil, a narrativa de políticas de riqueza é acompanhada com cautela por analistas, que veem ganhos de arrecadação, mas com desafios de implementação e de manter o apoio de setores de alto patrimônio. A comunicação pública sobre o tema costuma enfrentar resistências entre classes mais abastadas.
Griffin rebateu a iniciativa, afirmando que Nova York não acolhe o sucesso e pretendendo ampliar negócios em Miami. Dados de institutos de políticas públicas indicam que, mesmo com impostos progressivos, a concentração de riqueza tende a permanecer nas grandes cidades.
Conclusões provisórias
A aposta de Mamdani é tornar visível a relação entre riqueza e espaço urbano, usando o imposto como ferramenta de financiamento e de debate público. A experiência de Nova York e de políticas no Reino Unido servem de referência para governantes que discutem moradia, arrecadação e justiça urbana, sem oferecer soluções rápidas.
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