- Motta afirmou ao Estadão que Ciro Nogueira o convidou para ir “de carona” a Lisboa, em junho de 2024, junto com Daniel Vorcaro, para um fórum promovido pelo ministro Gilmar Mendes.
- Ao chegar à capital portuguesa, Vorcaro já havia reservado hotel; Motta diz não ver crime nem contrapartida na viagem e que era um evento corporativo, ressaltando que o Master não patrocinou o evento.
- As despesas com a estadia em Lisboa constaram na investigação da Polícia Federal; o relator do caso no Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, tornou públicas as conclusões.
- Motta sustenta que a emenda apresentada quando era deputado, que obrigava bancos e seguradoras a investir em crédito de carbono, não teve contemporaneidade e afirmou que legislar não é crime; disse que a emenda não produziu efeito.
- O presidente da Câmara diz que busca manter a função apartidária, aguarda a posição do partido e pretende destravar pautas no Congresso, mantendo distância de influências políticas externas.
O presidente da Câmara, Hugo Motta, afirma ao Estadão que foi Ciro Nogueira quem o convidou para ir de carona a Lisboa, em junho de 2024, no jatinho do banqueiro Daniel Vorcaro. Eles viajaram para acompanhar um fórum jurídico promovido por Gilmar Mendes, conhecido como Gilmarpalooza. Motta relata que não comprou passagem e que o evento incluía uma festa; ao chegar, soube que Vorcaro havia reservado o hotel.
O chefe do Legislativo sustenta que não houve crime ou contrapartida envolvida na viagem. Afirma ainda que o evento era corporativo e que o objetivo era manter contato com representantes do setor financeiro, sem indicar favorecimentos. O Master Bank, segundo ele, não era patrocinador do fórum, mas havia participação de instituições financeiras na ocasião.
A entrevista teve a participação de Motta sem gravação em vídeo, apenas em áudio. Ao longo do relato, o presidente da Câmara reforça que não houve qualquer vantagem recebida nem vantagem prometida por Vorcaro, e que não há como traçar relação entre a emenda apresentada por ele e a viagem. Procurado, o senador Ciro Nogueira não se manifestou sobre as declarações.
Contexto da viagem e declarações
Motta detalha conhecer Vorcaro como banqueiro com atuação extensa em Brasília e afirma que a relação não implica irregularidade. O presidente da Câmara ressalta que não tinha pleno conhecimento das atividades de Vorcaro e afirma que não houve tratamento preferencial ou troca de favores. Também comenta que o encontro em Lisboa ocorreu na mesma semana de outras atividades internacionais envolvendo o Instituto de Pesquisas, sem disfarces.
Emenda e questões institucionais
O parlamentar também trata de uma emenda antiga, apresentada quando era deputado, que pressionava instituições financeiras a aplicar 1% de recursos em crédito de carbono. Ele sustenta que não houve contemporaneidade entre a emenda e a viagem, que legislar não é crime e que o objetivo era apoiar investimentos em sustentabilidade, não favorecer Vorcaro. Além disso, afirma que o Senado alterou o texto, reduzindo o percentual, e que a matéria acabou sem efeito.
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