- STJ adiou a análise do recurso de Eládio Messias Cameli, pai do ex-governador do Acre Gladson Cameli, condenado a 25 anos e 9 meses por corrupção e organização criminosa na Operação Ptolomeu.
- A defesa buscava suspender ou revisar as medidas cautelares impostas, como bloqueio de bens, suspensão de atividades empresariais e outras limitações para evitar continuidade de crimes.
- O julgamento foi interrompido por pedido de vista do ministro Luís Felipe Salomão, que afirmou que ser pai de Gladson Cameli não basta para justificar restrições; ele tem 60 dias para devolver o processo, com possível prorrogação de 30 dias.
- A relatora, ministra Nancy Andrighi, manteve as medidas, argumentando que a revogação poderia permitir o retorno da organização criminosa e que algumas empresas continuaram atuando, levando atividades para Manaus.
- O ministro João Otávio de Noronha divergiu, dizendo que as medidas não devem servir como guarda-chuva para diferentes processos sem vínculo específico com cada fato investigado.
O Superior Tribunal de Justiça adiou nesta quarta-feira o julgamento de um recurso apresentado por Eládio Messias Cameli, pai do ex-governador do Acre Gladson Cameli. A decisão envolve medidas cautelares impostas a Eládio, como bloqueio de bens e restrições empresariais, ligadas à Operação Ptolomeu. O objetivo é evitar continuidade de crimes, ocultação de patrimônio ou prejuízo à investigação.
O recurso foi analisado pela Corte Especial do STJ, que suspendeu a análise por pedido de vista do ministro Luis Felipe Salomão. Ele afirmou que ser pai de Gladson Cameli não basta por si para justificar as restrições. Salomão tem 60 dias para devolver o processo, com possível prorrogação de 30 dias.
A relatora, ministra Nancy Andrighi, confirmou a manutenção das medidas cautelares, argumentando que a revogação poderia permitir o retorno da organização criminosa e que parte das atividades empresariais continuou, inclusive com deslocamento para Manaus. O ministro João Otávio de Noronha divergiu, dizendo que as medidas não devem funcionar como guarda-chuva para vários processos sem vínculo com cada fato.
Operação Ptolomeu
A Operação Ptolomeu apura corrupção, lavagem de dinheiro, peculato, fraude a licitação e organização criminosa no governo do Acre. A ação penal contra Gladson Cameli, líder do governo, foi recebida pela PGR em maio de 2024, após diligências da PF iniciadas em 2019. A investigação aponta desvio de aproximadamente 11,7 milhões de reais em contratos públicos no estado.
Em maio de 2024, o STJ aceitou a denúncia da PGR contra Gladson e rejeitou o pedido de afastamento dele do cargo. Gladson Cameli foi condenado, em maio de 2026, pela Corte Especial do STJ a 25 anos e 9 meses de prisão, em regime fechado, por organização criminosa, corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e fraude a licitação.
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