- O Ministério Público de São Paulo colheu depoimentos de 20 guardas civis municipais de Ribeirão Pires sobre um esquema de roubos, tráfico de drogas e abuso de autoridade na GCM.
- A Promotoria aponta Sandro Torres Amante e Gutembergue Martins Silva como figuras centrais da crise, sugerindo uso da estrutura da GCM para facilitar delitos e perseguições internas.
- A Polícia Federal revogou o porte funcional de 115 agentes, com indícios de falhas na rastreabilidade de armamento e no controle de pistolas 9 mm e carabinas.
- O armamento da corporação ficará recolhido temporariamente após reunião entre Ministério Público, prefeitura, GCM, PF e Polícia Militar.
- A Prefeitura informou ter aberto procedimento interno para apurar responsabilidades administrativas e anunciou mudanças na organização da segurança, com atuação interina de um secretário.
O Ministério Público de São Paulo investiga um possible esquema de roubos, tráfico de drogas e favorecimentos ilícitos na Guarda Civil Municipal de Ribeirão Pires. Depoimentos de 20 guardas apontam uso de controles internos para acobertar crimes e perseguir desafetos. A apuração envolve a cúpula da corporação.
Com o avanço das investigações, a Polícia Federal revogou o porte funcional de 115 agentes da GCM. Indícios sugerem falhas na rastreabilidade de armamento, dificultando auditorias e o controle de pistolas 9 mm e carabinas CTT.
Sandro Torres Amante, ex-secretário de Segurança e GCM, é apontado como mentor de irregularidades. A Promotoria afirma que Amante e Gutembergue Martins Silva — também ex-GCM — teriam condução que compromete a idoneidade da tropa.
A condenação de Amante e Gutembergue pelo furtos qualificados, usando a estrutura da GCM, é citada pela Procuradoria como marco da crise institucional. Eles teriam reposicionado câmeras para evitar registro de ações ilícitas.
A Secretaria de Segurança Urbana de Ribeirão Pires informou que instaurou procedimento interno para apurar fatos e eventual responsabilização administrativa. A defesa não foi localizada até o momento.
Estrutura interna e auditoria
O promotor Jonathan Vieira de Azevedo afirma que a GCM não dispõe de Ouvidoria nem de Corregedoria independentes. Assim, o controle de armas e auditorias ficam comprometidos pela estrutura atual.
As armas que permanecem com a guarda seguirão sob gestão de uma estrutura considerada permeável a condutas graves, segundo o Ministério Público. A corporação passa por mudanças para regularizar a situação.
Medidas administrativas e andamento
Após reunião entre MP, prefeitura, GCM, PF e PM, ficou definido o recolhimento temporário do armamento da corporação. A finalidade é assegurar o cumprimento de normas do Estatuto do Desarmamento.
Na manhã desta sexta-feira, o prefeito Guto Volpi anunciou mudança na condução da pasta de Segurança. Rangel Ferreira assume interinamente a Secretaria, com a dupla função até a conclusão da transição administrativa.
A Prefeitura reafirma que os serviços continuam normais e que a atuação integrada da Guarda, Defesa Civil e mobilidade urbana segue em operação.
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