- Na Finlândia, as bibliotecas vão além dos livros, oferecendo espaços de estudo, atividades e itens para emprestar, como máquinas de costura, raquetes de tênis e passes para piscina.
- Em Helsínquia, a biblioteca central Oodi recebe multidões, com salas para encontros, debates políticos, música e ensino de idiomas; o acervo inclui também espaços para alugar.
- Pesquisas sugerem que bibliotecas públicas promovem inclusão social e podem fortalecer a democracia ao conectar cidadãos com decisões públicas.
- O modelo finlandês associa bibliotecas a um serviço público financiado, com apoio digital e orientação para serviços governamentais, como burocracia online e cadastros.
- O gasto público em bibliotecas na Finlândia é alto em relação a outros países, refletindo o papel das bibliotecas como infraestrutura de participação cívica.
A finlandesa Oodi, em Helsinque, abriu as portas para cerca de 20 pessoas em uma manhã de janeiro. O foco não era apenas empréstimo de livros, mas serviços que ajudam a sociedade a funcionar. O local recebe estudantes, famílias e trabalhadores.
Katri Vänttinen, diretora de serviços bibliotecários da capital, afirma que a adesão da população é forte. O empenho mostra que a biblioteca pertence ao público, não apenas como depósito de leitura, mas como espaço de convivência.
Ao longo do dia, o local fica lotado com atividades diversas. Alunos usam laptops com vista para o Parlamento, pais leem com crianças pequenas e jovens praticam atividades culturais. A biblioteca funciona como centro multifuncional na cidade.
Not just books
Finlândia mantém mais de 700 bibliotecas para 5,6 milhões de habitantes. Além de livros, há estúdios de podcast, impressão 3D, raquetes de tênis e passes para piscinas. Há espaços para reuniões e debates, todos gratuitos para reserva.
Katri Vänttinen explica que o modelo de empréstimo amplia o conceito de biblioteca. Itens práticos, como máquinas de costura, aparecem entre os itens mais buscados, após livros. A prática remete a uma tradição de compartilhamento rural.
Em Oulu, a central Saari passou por reformas e oferece serviços similares. Bibliotecários ajudam leitores com leitura de jornais antigos, costura e acesso a recursos digitais, como impressões 3D e cortadoras a laser. A ideia é ampliar o alcance da prefeitura.
Segundo dados oficiais, 55% dos finlandeses visitam bibliotecas pelo menos uma vez ao mês. A pesquisa de cultura e educação mostra 9,1 visitas por ano por pessoa. Em comparação, outros países mostram faixas de uso diferentes.
Antes de atuar em Finland, Stephenson trabalhou no Reino Unido por 20 anos. Ele relata fechamento de várias bibliotecas e o impacto comunitário. No país nórdico, o enfoque é diferente: manter a abertura e ampliar serviços para uso público.
Pilares da democracia
Especialistas destacam que as bibliotecas vão além de serviços. Elas atraem pessoas de diferentes perfis para acesso à informação, debates públicos e participação cívica. Na Finlândia, a função democrática está prevista em lei: a Library Act incentiva expressão, conhecimento e cidadania.
Muitos serviços de library system ajudam na inclusão social e digital. Bibliotecas cumprem papel de infraestrutura de participação, conectando cidadãos a serviços públicos e ao debate público. Programas pilotos conectam cidadãos a autoridades e instituições.
Apoio institucional e modelos de digitalização ajudam a reduzir barreiras. O modelo de Suomi oferece suporte digital para que a população acesse serviços governamentais, bancos e registros de saúde. Assim, a biblioteca funciona como help desk público.
Impacto pessoal
Histórias individuais sinalizam o valor social das bibliotecas. Nas palavras de Nasima Razmyar, parlamentar finlandesa, o cartão de biblioteca foi o primeiro bem próprio que teve na Finlândia. Ela chegou ao país como refugiada ainda criança.
Razmyar relembra o papel das bibliotecas na sua formação: apoio de funcionários para lições, estudo após a escola e sensação de pertencimento. Hoje, vê seus filhos escolhendo livros como parte de um ambiente que acolhe famílias.
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