- Dr. Mahrang Baloch, ativista de Balochistão, tornou-se voz central na luta contra desaparecimentos forçados na região.
- O pai dela, Abdul Ghaffar Langove, desapareceu em 2009; o corpo dele foi encontrado anos depois em Lasbela, com sinais de tortura.
- Em 2024, durante um protesto em Gwadar, ela e Sibghatullah Shah foram condenados pela justiça paquistanesa a prisão perpétua por terrorismo, sedição e assassinato.
- Os dois negam as acusações e devem recorrer em tribunais superiores.
- Ao longo dos anos, Mahrang liderou marchas e campanhas, recebeu reconhecimento internacional e tornou-se símbolo da luta pelos desaparecimentos forçados na região.
Mahrang Baloch, médica e ativista de 33 anos, foi condenada a prisão perpétua por terrorismo, seditas e homicídio em conexão com a morte de um soldado paramilitar durante um protesto em Gwadar, em 2024. Sibghatullah Shah foi sentenciado junto com ela. Ambas negam as acusações e devem recorrer.
A decisão foi proferida por um tribunal antiterrorista do Paquistão, que sustenta ter comprovado participação nos atos violentos que acompanharam o protesto na cidade portuária de Gwadar. O julgamento vem após anos de atividade pública de Mahrang, ligada a uma das vozes mais visíveis do movimento contra desaparecimentos forçados em Balochistão.
Mahrang, hoje reconhecida pela militância, perdeu o pai em 2009, desaparecido durante operações de segurança. Em 2017, o irmão também foi detido por quase três meses, episódio que intensificou a luta da família por informações e justiça. O caso galvanizou campanhas de mães e familiares na região.
Nascida em Lasbela, a família recebeu o corpo do pai anos após o desaparecimento, relatando torturas durante o transporte e a identificação. A trajetória de Mahrang a levou a liderar marchas e protestos, além de atuar no BYC, movimento que denuncia desaparecimentos e defende maior controle sobre os recursos regionais.
Ao longo da década, ativistas relatam que milhares de Baloches sumiram nos últimos 20 anos, muitos sem rastro ou em covas anônimas. As autoridades dizem que os casos já foram resolvidos ou se atribuem a adesões a grupos separatistas, enquanto defensores citam perseguição e violações de direitos humanos.
Mahrang chegou a ser indicada ao Nobel da Paz e integrou listas de destaque internacional, como a TIME100 Next. Em 2023 liderou uma marcha de 1.000 milhas para Islamabad, exigindo respostas sobre parentes desaparecidos; foi presa duas vezes no trajeto.
Antes da prisão de 2025, a ativista foi detida durante protesto em Quetta, após o enterro de 13 corpos não identificados, considerados desaparecidos. Autoridades defenderam que os corpos pertenciam a militantes mortos em um ataque ferroviário, sem verificação independente.
O governo paquistanês sustenta que o caso envolve crimes comuns, não atividade política. A família de Mahrang contesta a condução do processo e afirma que o julgamento não foi transparente, com mudanças de advogados e restrições ao acesso a testemunhas.
A defesa e familiares afirmam que a luta de Mahrang continuará. Eles planejam recorrer às instâncias superiores, mantendo o legado de denúncia de abusos e de injustiças associadas aos desaparecimentos.
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