- Novas evidências indicam que Robert F. Kennedy Jr. participou de uma “missão” relacionada a vacinas durante viagem a Samoa em 2019, antes de um surto de sarampo.
- Documentos obtidos mostram que o colega de Kennedy, Dr. Michael Graven, descreveu o trajeto como missão para estudar prontuários médicos após atraso na vacinação.
- Kennedy, então líder do Children’s Health Defense, havia negado repetidamente que a viagem tivesse relação com vacinas em audiência no Senado.
- Os emails, obtidos pelo Guardian e pela Associated Press, também questionam se Kennedy mentiu ao Senado sobre o tema e ressaltam críticas ao papel de ativistas anti-vacina.
- O surto de sarampo em Samoa matou 83 pessoas, principalmente crianças com menos de cinco anos, meses após a visita de Kennedy.
Robert F Kennedy Jr é alvo de novas evidências sobre a viagem a Samoa em 2019, que podem contestar seu testemunho ao Senado dos EUA. A reportagem analisa mensagens que sugerem uma finalidade relacionada a vacinas.
A investigação se baseia em registros obtidos pela Guardian. Eles indicam que o colega de Kennedy, Dr. Michael Graven, descreveu a visita como parte de uma “missão” para analisar registros médicos de Samoa após uma interrupção na vacinação. Kennedy era, na época, presidente e assessor jurídico-chefe da Children’s Health Defense.
Graven, que era diretor de informações da organização, escreveu aos oficiais de Samoa que a missão visava avaliar desfechos após a interrupção de imunizações. A correspondência mostra que o grupo pretendia coletar dados de hospitais e clínicas para uma avaliação estatística.
Kennedy e Graven viajaram a Samoa em 30 de maio de 2019. A viagem ocorreu antes de um surto de sarampo que afetou milhares de pessoas e deixou 83 mortos, principalmente crianças com menos de cinco anos. A data e o contexto aparecem nos emails divulgados neste ano.
Questionado no Senado, Kennedy afirmou repetidamente que a viagem não tinha relação com vacinas e que o objetivo era apenas apresentar um sistema de informática médica. Em contrapartida, as mensagens indicam uma relação com avaliação de dados de vacinação.
Os registros mostram que Graven descreveu a missão como uma avaliação de informática em saúde, com a coleta de dados de todos os hospitais e centros de saúde de Samoa. Em outra mensagem, o envio foi descrito como realizado após discussão com Kennedy.
O material obtido também revela que, segundo fontes, Graven e Kennedy deixaram Samoa alguns dias após a chegada, o que levou autoridades a entender que o objetivo não foi apenas observacional. A posição oficial de Kennedy sobre o tema permanece sob escrutínio público.
Outras informações associam a Children’s Health Defense a campanhas anti-vacina, e a viagem de 2019 é citada entre os episódios mais criticados de atividades anteriores de Kennedy, que mais tarde se tornou o secretário de Saúde sob o governo de Donald Trump.
A divulgação dos e-mails ocorreu em meio a uma ação judicial de acesso à informação movida com apoio de uma organização jornalística, resultando em envio progressivo de documentos pelo Departamento de Estado dos EUA. O material está com informações fortemente editadas em alguns trechos.
Autoridades vizinhas têm acompanhado o caso de perto. Senadores democratas e um membro da Câmara já disseram que as novas evidências reforçam dúvidas sobre a narrativa apresentada por Kennedy durante a sabatina no Senado. O tema segue em avaliação pública e jurídica.
Entre na conversa da comunidade