- A Operação Última Parada, do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil, investiga lavagem de dinheiro do PCC por meio da Transunião, concessionária de ônibus da capital; cinco pessoas foram presas, incluindo o vereador Senival Moura (PT) e o presidente da empresa.
- A Justiça bloqueou cerca de R$ 194 milhões em contas, além da indisponibilidade de 117 veículos, 21 imóveis e 3 embarcações; houve afastamento da diretoria e avaliação de intervenção na empresa pela prefeitura.
- A investigação aponta uma “dupla gestão” na Transunião, com um núcleo paralelo tomando decisões administrativas e financeiras à margem da diretoria formal.
- Segundo o MP e a polícia, Moura atuava na gestão financeira informal, autorizando movimentações sem ocupar cargo na concessionária, com repasses ligados ao PCC.
- O capital social da Transunião teria passado de pouco mais de R$ 100 mil para mais de R$ 50 milhões sem origem de recursos esclarecida, associando o caso a esquemas anteriores como Carbono Oculto, Vérnix e Mafiusi.
A Operação Última Parada foi deflagrada nesta quinta-feira (25) pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e pela Polícia Civil. O objetivo é investigar lavagem de dinheiro do PCC por meio da Transunião, concessionária do transporte coletivo de São Paulo. A ação resultou na prisão de cinco investigados, entre eles o vereador Senival Moura (PT) e o presidente da Transunião.
As autoridades cumpriram mandados na capital, na região metropolitana e em Extrema (MG). Além das prisões, a Justiça bloqueou cerca de R$ 194 milhões em contas ligadas aos investigados e à empresa, e determinou a indisponibilidade de 117 veículos, 21 imóveis e 3 embarcações.
A operação também afastou a diretoria da Transunião e orientou a Prefeitura de São Paulo a avaliar medidas administrativas, incluindo possível intervenção na concessionária para manter o serviço de ônibus. O objetivo é assegurar a continuidade do transporte público.
Segundo o MP e a Polícia Civil, a investigação teve início com o assassinato de Adauto Soares Jorge, ex-presidente da Transunião, em 2020. Indícios apontam que a empresa seria usada para ocultar e movimentar recursos do PCC.
A polícia aponta uma “dupla gestão” na Transunião: uma administração formal, e um núcleo externo que decide recursos, autoriza repasses e controla a ordem de pagamentos. Moura seria, segundo os investigadores, parte da gestão financeira informal.
Planilhas apreendidas indicam que cada veículo tería um proprietário formal e um “cooperado oficial” que recebia os lucros. Essa prática indicaria ocultação da titularidade e controle econômico sobre a frota.
Relatórios oficiais mencionam movimentações financeiras fora da contabilidade, com depósitos e transferências para pessoas sem vínculo formal com a Transunião, incluindo familiares de operadores. Anderson de Cássia Pereira é apontado como integrante do PCC.
A investigação sustenta que a empresa misturava receitas legais com recursos ilícitos, redistribuídos por meio de empresas de fachada e contas de terceiros. O relatório liga parte das operações ao assassinato de Adauto Soares Jorge.
Indícios apontam ligações entre o circuito financeiro da Última Parada e operações já investigadas como Carbono Oculto, Vérnix e Mafiusi. A PF apura ainda vínculos com organização italiana, a máfia ‘Ndrangheta.
O caso reforça o escrutínio sobre o transporte público na capital. Em 2024, a Gaeco deflagrou a Operação Fim da Linha, envolvendo UPBus e Transwolff, suspeitas de lavar recursos do tráfico e do PCC. Essas empresas atenderam cerca de 700 mil passageiros/dia em 2023.
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