- O documentário “963 dias”, de Bruno Barreto, sobre o governo de Michel Temer, deve estrear no segundo semestre de 2026.
- Em 26 de junho, houve uma sessão especial para centenas de convidados em quatro salas do Shopping JK Iguatemi, em São Paulo, com participação de autoridades e figuras públicas.
- O filme sustenta a ideia de Temer como moderado e conciliador, destacando a relação com o Congresso e as reformas de teto de gastos, trabalhista e da Previdência.
- O longa usa recortes de matérias e entrevistas, mas oferece pouco espaço ao contraditório, o que, segundo críticos, torna o relato pouco dinâmico.
- A obra revisita o impeachment de Dilma Rousseff e eventos como a greve dos caminhoneiros, mantendo o tom elogioso em relação ao governo, sem apresentar leituras adicionais significativas.
O documentário 963 dias, dirigido por Bruno Barreto, teve sua sessão especial nesta sexta-feira, 26 de junho de 2026, em quatro salas do Shopping JK Iguatemi, em São Paulo. O filme revisit a gestão do ex-presidente Michel Temer, do MDB, sem espaço para vozes contrárias.
A produção utiliza recortes de matérias e entrevistas com jornalistas, assessores, ex-ministros, sociólogos e familiares de Temer. Dentre os protagonistas ou convidados estão o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e ministros do STF, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes.
O foco é o período em que Temer esteve no poder, após o impeachment de Dilma Rousseff, até o fim de seu mandato em 2019. O documentário apresenta Temer como figura moderada e conciliadora, em meio a crises políticas e econômicas.
Abordagem e críticas
A obra busca um olhar histórico mais objetivo, mas tem recebido críticas pela ausência de contraditório suficiente. As entrevistas posadas e o uso de arquivo dão o tom de relato elogioso, segundo avaliações de parte da imprensa.
Os defensores do governo Temer são retratados como responsáveis por políticas consideradas necessárias para estabilizar o país. A PEC do teto de gastos, as reformas trabalhista e da Previdência aparecem entre as ações destacadas.
O longa também aborda episódios de crise, como a conversa entre Temer e Joesley Batista envolvendo Eduardo Cunha, a greve dos caminhoneiros de 2018 e protestos de oposição ao governo. O filme não compõe, porém, um panorama completo.
Contexto histórico e desdobramentos
Temer assumiu a Presidência de forma definitiva em agosto de 2016, após o impeachment de Dilma Rousseff. O mandato terminou em janeiro de 2019, com desaprovação de 74% em levantamento do Ibope. A narrativa situacionista do filme sustenta que o período exigiu medidas de ajuste.
A recepção entre públicos e especialistas pode variar conforme as leituras políticas. O documentário pretende oferecer um recorte histórico, sem se apoiar apenas às intrigas da política da época. A estreia está prevista para o segundo semestre de 2026.
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