- Andy Burnham, ex-prefeito de Manchester, assume o posto de primeiro-ministro do Reino Unido, substituindo Keir Starmer.
- Em seu primeiro discurso, ele apresenta um plano de dez anos para reverter a estagnação econômica, com o lançamento do escritório oficial do premiê em Manchester, batizado de “Número 10 Norte”.
- O objetivo é descentralizar o poder, entregando mais autonomia a líderes locais e aos governos da Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, em um “maior reequilíbrio de poder da história política britânica”.
- Entre as propostas estão o maior programa de construção de casas populares desde o pós-guerra, reforma do council tax e revisão da assistência social para idosos, mantendo a norma do partido de não elevar impostos.
- O cenário econômico atual é de moderado crescimento e inflação em alta; há dúvidas sobre a capacidade de Burnham de implementar as medidas, já que ele chegou ao cargo sem vencer uma disputa pela liderança ou uma eleição geral.
O ex-prefeito de Manchester, Andy Burnham, assumiu o papel de primeiro-ministro do Reino Unido em meio a expectativas e ceticismo. Em seu primeiro discurso, ele prometeu reduzir o custo de vida, lançar o maior programa de moradias populares desde o pós-guerra e descentralizar o poder do governo central.
Burnham anunciou a criação de um escritório oficial do primeiro-ministro em Manchester, batizado de Número 10 Norte. O objetivo é transferir decisões para governos locais, incluindo Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, segundo o líder trabalhista.
Descentralização e habitação
O novo gabinete em Manchester deverá coordenar o maior programa habitacional da história, para enfrentar o déficit de moradias. A meta é ampliar a oferta de casas populares com foco em regiões de baixa renda.
Ele também defende ampliar a capacidade de investimento do governo na economia produtiva e reformar o sistema de assistência social para idosos. A ideia é reduzir a pressão sobre o NHS e melhorar a segurança financeira das famílias.
Burnham sustenta que o plano representa o maior reequilíbrio de poder da história política britânica. O objetivo é entregar mais autonomia a autoridades locais e regionais, com base em propostas já debatidas ao longo de sua carreira.
Finanças públicas e limites políticos
O premiê reiterou compromisso com a disciplina fiscal, mantendo regras que não permitiriam elevar IVA, imposto de renda ou contribuições para a seguridade social. Garante que gastos correntes sejam cobertos por receitas em até três anos.
Mesmo com esse teto, o governo pretende ampliar investimentos em infraestrutura, especialmente em transporte, habitação e serviços públicos locais. A proposta envolve eventuais mudanças na taxação de imóveis para Londres e Sudeste.
A oposição e parte da base ainda questionam a viabilidade política de implantar as medidas sem mandato eleitoral claro. Burnham chegou ao cargo sem disputar uma liderança interna nem uma eleição geral recente.
Contexto e expectativa
A trajetória de Burnham marca uma atuação associada à descentralização e à gestão pragmática, destacando-se pela oposição à concentração de decisões em Londres. Sua gestão em Manchester é citada como modelo para a estratégia nacional.
O cenário econômico refleja desafios: o PIB manteve crescimento moderado, a inflação variou, e o custo de vida segue uma preocupação central. A situação fiscal envolve dívida pública próxima a trilhões de libras e juros elevados.
A agenda do novo premiê também contempla reforma do council tax para reduzir desigualdades entre regiões, com impactos potenciais em Londres e no Sudeste, onde a valorização imobiliária é mais acentuada.
Burnham chega ao poder em meio a um Parlamento tenso e com pressão de redes sociais. A promessa é manter o foco em estabilidade econômica, descentralização e serviços públicos, sem exacerbar tensões políticas.
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