- Um mapa que mostraria como as mulheres votaram por estado no segundo turno de 2022 é falso; não há dados de voto por gênero no TSE.
- A Constituição garante o sigilo do voto e o TSE afirmou que não é possível vincular registros das urnas à identidade ou ao perfil de eleitores.
- O mapa apresenta inconsistências, como no Acre, onde Bolsonaro venceu com 70,3% dos votos; segundo o analista citado, seria necessária uma parcela impossível de votos masculinos em Lula para explicar o resultado.
- O conteúdo circulou nas redes após ser republicado pelo influenciador Paulo Figueiredo, que comentou que “mulher vota estatisticamente muito mal”; o material voltou a ganhar alcance recentemente.
- O Estadão Verifica e o Aos Fatos já rundown a checagens sobre o tema; houve polícia de queixa à PGR por violência política de gênero em razão da declaração associada ao conteúdo.
Um mapa que afirma mostrar como mulheres votaram no segundo turno das eleições de 2022 é falso. Publicado inicialmente por um influenciador nas redes, o conteúdo atribui dados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e aponta suposta liderança de Lula entre as mulheres na maioria dos estados, com exceção de alguns.
A checagem do Estadão Verifica mostrou que não há dados oficiais do TSE sobre o voto por gênero. A Justiça Eleitoral não vincula votos a identidade ou perfil do eleitor, e o portal oficial só reúne estatísticas gerais, como idade, estado civil e gênero, sem segmentação por voto.
Dados do Acre, apontado no mapa como majoritariamente favorável a Lula entre as mulheres, revelam contradição: Bolsonaro venceu o estado no segundo turno com 70,3% dos votos. Para justificar o mapa, seria necessária uma discrepância de 92% de votos masculinos para Lula, o que é matematicamente improvável, segundo analistas consultados pelo Verifica.
O conteúdo circulou com força depois que o influenciador Paulo Figueiredo republicou a imagem, acompanhado de uma declaração controversa sobre o voto feminino. O Verifica tentou contato com Figueiredo, sem retorno até o encerramento desta apuração.
Foi destacado que a Constituição Federal garante o voto secreto e que a Lei das Eleições impede vincular os registros de urna a identidades. Em nota, o TSE reiterou não ser possível associar votos a eleitores, reforçando a inexistência de dados por gênero.
O mapa falso voltou a circular após postagens nas redes sociais feitas em maio, com republicação recente por Figueiredo. Em resposta, a senadora Soraya Thronicke formalizou notícia-crime contra o influenciador por violência política de gênero.
Outros veículos e verificadores, como Aos Fatos, também revisaram o tema. A nota técnica é unânime: não existem dados oficiais que comprovem o voto por gênero nas eleições de 2022, tornando o mapa uma representação enganosa.
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