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Vinte minutos numa delegacia da mulher e angústia que persiste

Relato expõe falhas na concessão de medidas protetivas fora do núcleo familiar, com várias vítimas de violência reunidas em delegacia

OPINIÃO. Vinte minutos numa delegacia da mulher – e uma angústia que perdura
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  • Uma advogada foi à delegacia da mulher para solicitar uma medida protetiva após ser agredida por um vizinho, não pelo marido.
  • A agressão incluiu uma paulada na cabeça; o laudo ainda não havia sido concluído e a violência foi classificada como lesão corporal leve.
  • A delegacia não pôde conceder a proteção de acordo com a Lei Maria da Penha, pois o caso não envolvia violência doméstica ou familiar.
  • Na mesma manhã, outras quatro mulheres relataram ataques na delegacia, incluindo agressões físicas de ex-companheiros e um atropelamento envolvendo o ex-marido.
  • A situação de Lusinete terminou com a reclassificação para tentativa de homicídio e a concessão de cautelar; ela também conseguiu câmeras de monitoramento na via pública e autorizou a divulgação de sua história com seu próprio nome.

A reportagem acompanha uma cena comum em delegacias: relatos de violência contra mulheres. Em uma manhã de sábado, uma advogada de Direito Penal presencia uma vítima com sinais de violência física, em uma delegacia da mulher. A vítima busca uma medida protetiva, mas o atendimento inicial não permite encaminhamento imediato, pois o agressor não é cônjuge.

A advogada percebe que o caso pode não se enquadrar na Lei Maria da Penha, cuja proteção se aplica a violência doméstica ou familiar. O cenário expõe entraves burocráticos, ainda que haja desejo de proteção por parte da vítima. Durante a ocorrência, cresce a percepção de que muitos casos não são tratados com a devida urgência.

O relato descreve ainda que, numa segunda delegacia, a vítima recebe orientação para pleitear medidas cautelares no âmbito do Código de Processo Penal. Em menos de 30 minutos, surgem relatos semelhantes de outras mulheres, todas buscando apoio e registro de violência.

Caso de Lusinete

A história de Lusinete envolve agressão física em frente à residência, com o agressor supostamente responsabilizado por uma paulada na cabeça. Inicialmente, o episódio foi classificado como lesão corporal leve, com laudo pendente. A vítima temia pelo filho e pela continuidade do perigo.

Após retornar à delegacia e solicitar proteção, o caso evoluiu. A autoridade deixou claro que a situação poderia receber tratamento diferente se fosse enquadrada como violência fora do contexto familiar. Com orientação jurídica, Lusinete conseguiu alterar a tipificação para tentativa de homicídio e garantiu uma medida cautelar temporária.

A depuração de registros também envolveu a obtenção de câmeras de monitoramento das ruas, para comprovar ou refutar a versão apresentada pela vítima. O desfecho ocorreu com a concessão de cautelar que impede o agressor de se aproximar.

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