O território Yanomami, na fronteira com a Venezuela, é a maior terra indígena do Brasil e abriga cerca de 27 mil pessoas, incluindo comunidades isoladas. A retirada de garimpeiros ilegais começou há dois anos, após ações federais, e é acompanhada por relatos de retomada de rituais, cultivo e alimentação, segundo líderes locais.
Júnior Hekurari Yanomami, líder indígena da região, afirma que o povo voltou a se organizar, celebrando bananas e mandioca. A declaração ocorre em meio a um balanço oficial de ações do governo federal na área, anunciando avanços após anos de crises ligadas à presença de garimpeiros.
Em 2024, o governo federal informou que foram realizadas 3.536 operações de segurança na Terra Yanomami e que o número de profissionais de saúde aumentou de 690 para 1.759. A medida visa frear o garimpo ilegal e ampliar serviços médicos na região.
Contexto de crise
O período anterior à gestão atual ficou marcado pelo favorecimento aos garimpeiros e pela piora de condições sanitárias, com aumento de desnutrição infantil e surto de malária, agravando a violência e a degradação ambiental na região.
A retirada de garimpeiros envolveu o desmantelamento de maquinários, apreensão de equipamentos e o bloqueio de saídas logísticas, como aeródromos e fornecimento de combustível. Estima-se que as perdas econômicas atingiram dezenas de milhões de reais.
Situação atual na região
Apesar dos avanços, ainda existem pontos de garimpo e a mobilidade de mineradores persiste em áreas fronteiriças. Hekurari aponta que, embora a maioria tenha migrado, alguns grupos permanecem em regiões próximas a Venezuela, com provocações eventuais quando há presença policial.
Especialistas ambientais alertam que a contaminação por mercúrio continua no ecossistema, com impactos na pesca e na saúde humana. Estudos recentes indicam traços de mercúrio em amostras biológicas de moradores, incluindo crianças.
Entre na conversa da comunidade