Desembargadores da 6ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) decidiram, por unanimidade, levar a júri popular três policiais civis acusados do assassinato de João Pedro Mattos Pinto, de 14 anos. O crime ocorreu em 18 de maio de 2020, no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, durante uma operação policial.
Os policiais Mauro José Gonçalves, Maxwell Gomes Pereira e Fernando de Brito Meister foram inicialmente absolvidos pela juíza Juliana Bessa Ferraz Krykhtine, que alegou legítima defesa. No entanto, a decisão foi contestada pela Defensoria Pública e pelo Ministério Público, que argumentaram que a absolvição ignorou provas técnicas e testemunhais.
Durante a operação, João Pedro foi atingido por um tiro de fuzil nas costas enquanto brincava com amigos dentro da casa de seus tios. A residência foi alvo de mais de 70 disparos. Segundo testemunhas, os jovens correram para dentro da casa ao ouvirem os tiros, mas os policiais invadiram o local atirando. A perícia confirmou que o tiro que matou o adolescente partiu de um dos policiais.
Recurso e Protestos
A nova decisão do TJRJ foi celebrada pela família de João Pedro, que desde o início do caso tem realizado protestos em busca de justiça. O defensor público Pedro Carriello considerou a decisão uma vitória, ressaltando a importância do julgamento para os direitos humanos. A data do júri popular ainda não foi definida.
Além do julgamento, a Defensoria Pública solicitou aumento na indenização à família, tratamento de saúde mental e um memorial em homenagem a João Pedro, mas esses pedidos não foram aceitos. O caso continua a mobilizar a sociedade e organizações sociais em busca de respostas e justiça.
Entre na conversa da comunidade