Nesta quinta-feira (24), o presidente Lula criticou o interesse dos Estados Unidos nos minerais estratégicos do Brasil e defendeu a soberania nacional durante um discurso em Minas Gerais.
“Temos todo o nosso petróleo para proteger. Temos todo o nosso ouro para proteger. Temos todos os minerais ricos que vocês querem para proteger. E aqui ninguém põe a mão. Este país é do povo brasileiro”, respondeu o presidente ao acordo proposto pelos EUA.
A proposta também foi mencionada na última quinta-feira (24) por Gabriel Escobar, encarregado de negócios da embaixada dos EUA no Brasil, durante reunião com o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), segundo informou o presidente da entidade, Raul Jungmann.
**A geopolítica das terras raras**
O Brasil foi alvo do tarifaço de Donald Trump em julho deste ano, com a imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. A uma semana do início das cobranças, marcado para 1º de agosto, a proposta dos Estados Unidos seria uma possível tentativa de negociação, usando as tarifas como moeda de troca por um dos recursos mais cobiçados pelo país, os minerais estratégicos.
Os Estados Unidos já firmaram acordos sobre terras raras com outros países, como a Ucrânia, onde usaram o apoio militar na guerra contra a Rússia como contrapartida para ter acesso às reservas desses minérios em áreas sob ocupação russa.
A China, que possui as maiores reservas de terras raras do mundo, também esteve envolvida em negociações com os Estados Unidos. O país chegou a suspender um acordo de exportação já existente, mas retomou o envio dos minérios após longas conversas, com a condição de que estudantes chineses pudessem voltar a ingressar em instituições de ensino nos Estados Unidos.
O que são as terras raras?
O interesse gira em torno das chamadas terras raras, que incluem minérios como nióbio e lítio, usados na produção de tecnologias avançadas, como chips e carros elétricos. O Brasil tem a segunda maior reserva desses minerais no mundo, atrás apenas da China, responsável por cerca de 70% da produção global.
Esses minerais têm sido cada vez mais procurados por outros países por conta da chamada transição energética, que prevê a substituição dos combustíveis fósseis por fontes mais sustentáveis, como a energia eólica e solar. Para isso, no entanto, são necessários recursos específicos, entre eles, as terras raras.
Hoje, esses minérios ocupam uma posição central nas estratégias geopolíticas, por estarem diretamente ligados ao avanço tecnológico, o que os coloca no centro das grandes disputas globais. Ao mesmo tempo, o monopólio da China sobre essas reservas continua em constante crescimento.
O grande desafio do Brasil não é a detenção desses recursos, e sim a pesquisa em volta deles. Com a infraestrutura necessária, seria possível alavancar uma nova era de desenvolvimento tecnológico e industrial para o país, que tem grande potencial na área tendo em vista as alianças com a China e suas grandes reservas.
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