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Brasil e México tentam estreitar laços, mas diferenças dificultam aliança sólida

Brasil e México buscam fortalecer laços comerciais e diplomáticos, mas diferenças estratégicas ainda limitam a parceria entre os países

Lula e Claudia Sheinbaum, em encontro no México em 2024: os dois governos se movem para aprofundar os laços econômicos. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
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O fortalecimento das relações entre Brasil e México tem se intensificado sob a liderança dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Claudia Sheinbaum. Nos últimos dez meses, ambos se encontraram quatro vezes e mantiveram conversas frequentes, contrastando com a postura de seu antecessor, Andrés Manuel López Obrador, que raramente participou de cúpulas internacionais.

A aproximação entre os dois países busca acordos comerciais e uma maior integração econômica. O vice-presidente brasileiro, Geraldo Alckmin, liderou uma delegação ao México em agosto para discutir oportunidades comerciais. Essa nova dinâmica é vista como uma resposta ao retorno de Donald Trump à Casa Branca, com o Brasil buscando diversificar seus mercados e o México tentando aliviar tensões com os EUA.

Apesar do otimismo, as diferenças estratégicas entre Brasil e México permanecem significativas. O comércio bilateral, que totalizou apenas US$ 13,6 bilhões no último ano, é considerado baixo em comparação com as relações comerciais do México com outros países. Enquanto o Brasil busca um assento no Conselho de Segurança da ONU, o México prioriza sua integração econômica com os EUA através do tratado USMCA.

Desafios e Oportunidades

Ambos os países enfrentam desafios que podem limitar a profundidade de sua colaboração. O México, por exemplo, ainda não possui embaixador em Brasília e enfrenta restrições de vistos que dificultam a mobilidade de brasileiros. Além disso, a dependência do México em relação aos EUA e a preferência do Brasil por políticas protecionistas complicam a construção de uma parceria mais robusta.

Executivos de empresas mexicanas, como o conglomerado Femsa, expressaram otimismo em relação ao Brasil, prevendo crescimento significativo. No entanto, a falta de um acordo de livre comércio e a necessidade de superar obstáculos menores são questões que ainda precisam ser abordadas. A busca por complementaridades pode ser um primeiro passo, mas não se espera uma transformação radical nas relações bilaterais.

A relação entre Brasil e México, embora promissora, ainda é marcada por uma história de competição e desconfiança. O futuro dessa parceria dependerá da capacidade de ambos os países de encontrar um terreno comum em meio a suas diferenças.

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