O Irã condiciona futuras negociações com os Estados Unidos à responsabilização dos ataques a suas instalações nucleares ocorridos em junho. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baqai, afirmou que a questão da compensação por agressões militares será um ponto central nas discussões.
Os ataques, que começaram em 22 de junho, foram parte de uma ofensiva israelense que durou 12 dias e envolveu também ações diretas das forças americanas contra locais nucleares em Fordow, Isfahan e Natanz. Esta foi a primeira intervenção significativa dos EUA contra o Irã desde a Revolução Iraniana, em 1979, interrompendo as negociações que haviam sido iniciadas em abril.
Teerã nega a busca por armas nucleares, afirmando que seu programa é voltado apenas para fins civis. Apesar dos danos causados, uma avaliação posterior dos EUA indicou que os ataques não destruíram completamente todos os locais visados.
Contexto das Negociações
As tensões entre Irã e EUA aumentaram desde que Washington abandonou o acordo nuclear de 2015. O pacto, que previa a suspensão de sanções em troca de restrições ao programa nuclear iraniano, está em risco, pois a resolução que o rege expira em 18 de outubro.
Os países europeus, conhecidos como E3 (Alemanha, França e Reino Unido), junto com China e Rússia, tentam retomar a diplomacia antes do término do prazo. Em 25 de julho, representantes do Irã e do E3 se reuniram em Istambul, marcando o primeiro encontro desde os ataques.
O diretor da Agência Internacional de Energia Atômica, Rafael Grossi, expressou otimismo sobre a possibilidade de retomar as inspeções nas instalações nucleares iranianas, após o Irã sinalizar a aceitação de uma visita da agência da ONU nas próximas semanas.
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