Eduardo Tagliaferro, ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes, acusou o magistrado de adulterar documentos para justificar uma operação da Polícia Federal durante as eleições de 2022. Em depoimento remoto à Comissão de Segurança Pública do Senado, Tagliaferro revelou que uma petição foi datada retroativamente para dar a impressão de que uma análise técnica foi realizada antes de uma ação policial.
O ex-assessor apresentou metadados que indicam que o documento foi criado em 28 de agosto de 2022, mas foi incluído no processo com a data de 22 de agosto. Segundo Tagliaferro, essa alteração visava ocultar que a operação da PF foi desencadeada por uma reportagem da coluna de Guilherme Amado, onde empresários discutiam um golpe de Estado.
Tagliaferro afirmou que a manipulação foi uma tentativa de fazer parecer que a operação da PF tinha base em uma investigação legítima, e não apenas em uma matéria jornalística. Ele também mencionou que foi solicitado a elaborar mapas mentais para justificar a operação, a pedido de Ayrton Vieira, juiz instrutor de Moraes. Esses mapas foram criados em 29 de agosto de 2022, após a elaboração do relatório.
Além disso, o ex-assessor revelou que Moraes e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, combinavam quais denúncias seriam feitas aos Tribunais Regionais Eleitorais. Tagliaferro destacou que o processo deveria seguir a lógica inversa, com investigações iniciando a partir de denúncias, e não por ordens de um magistrado.
Entre na conversa da comunidade