A rejeição da Medida Provisória 1303, que tratava da tributação do IOF, representa um novo desafio para o governo Lula. A votação, ocorrida em 9 de outubro de 2025, resultou em 251 votos contra e 193 a favor, evidenciando a união do Centrão, liderado por partidos como PP, União Brasil e PSD, em um movimento contrário ao Palácio do Planalto.
Nos bastidores, a manobra para derrubar a MP foi articulada por Gilberto Kassab, presidente do PSD, e Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo. O objetivo foi claro: evitar que o governo Lula obtivesse uma nova fonte de arrecadação, estimada em até 35 bilhões de reais, que ajudaria a equilibrar o Orçamento e viabilizar programas sociais.
Conflito Político
A derrota na votação não foi apenas uma questão de política fiscal, mas um sinal de tensões crescentes entre o governo e o Congresso. Kassab e Tarcísio incentivaram seus aliados a não “dar fôlego fiscal” ao presidente. A votação foi vista como um teste de força, onde o Centrão procurou reafirmar sua influência e autonomia em relação ao Executivo.
Além disso, a rejeição da MP também teve um caráter de retaliação. Após a derrota na PEC da Blindagem, os líderes do Centrão esperaram o momento certo para agir. A pesquisa Quaest, divulgada no dia anterior à votação, indicava um empate técnico na aprovação de Lula, o que pode ter incentivado a ação.
Ministros Rebeldes e Futuro
A votação também refletiu a insatisfação de partidos que, embora tenham rompido com o governo, ainda mantêm ministros em seus quadros. O União Brasil expulsou o ministro do Turismo, Celso Sabino, e o PP fez o mesmo com André Fufuca, ministro do Esporte, ambos por desobedecerem a orientação partidária.
Após a derrota, Lula declarou que quem perdeu não foi o governo, mas o País, ao afirmar que a rejeição da MP favoreceu os mais ricos. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também criticou a atuação do Centrão, que, segundo ele, protegeu o mercado financeiro. Para o governo, a queda da MP sinaliza um novo ciclo de tensões com o Congresso, com a expectativa de resistência a qualquer medida que implique aumento de receita.
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