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PF intima Flávio Bolsonaro a entregar passaportes após decisão de Moraes

Determinação do ministro do STF também proíbe senador de deixar o Brasil e de manter contato com o advogado Willer Tomaz

Flávio Bolsonaro afirmou que foi intimidado pela PF a entregar passaportes (Fotos: Reprodução/Instagram/@flaviobolsonaro)

O senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado no segundo turno das eleições presidenciais, foi intimado pela Polícia Federal (PF) nesta segunda-feira (26) a entregar seus passaportes comum e diplomático no prazo de 24 horas. A determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), também proíbe o parlamentar de deixar o país.

A decisão impede ainda Flávio de manter contato com o advogado Willer Tomaz, amigo do senador e investigado por suspeita de envolvimento no esquema de fraudes no INSS. As informações foram confirmadas por uma fonte da PF à agência Reuters.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Flávio afirmou que foi intimado ao deixar a residência do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília.

“Hoje de manhã fui visitar meu pai, como vocês sabem, ele está em prisão domiciliar. Quando eu estava saindo, a Polícia Federal do Lula estava na porta da casa dele e, no meio da rua, fui intimado a entregar meus passaportes e também estou proibido de deixar o país”, afirmou.

Segundo Flávio, a decisão de Moraes teria sido motivada por uma declaração de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, feita em 23 de outubro, às vésperas do segundo turno.

“A decisão do Alexandre de Moraes se baseou numa fala do Eduardo de 23 de outubro, que eu deveria deixar o país se eu perdesse a eleição. Eu nunca falei isso. Isso é motivo pra eu tirar meu passaporte?”, questionou.

O senador negou que tivesse intenção de deixar o Brasil e afirmou que cumprirá a determinação da PF.

“Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração”, declarou.

No mesmo vídeo, Flávio voltou a questionar a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que determinou a prorrogação do horário de votação por duas horas em todo o país. Durante o seu discurso após a derrota, o senador afirmou que irá pedir a anulação do segundo turno.

“O que aconteceu neste domingo de eleição não foi normal. Pela primeira vez no brasil um ministro do STF, ex-advogado do Lula, provocado pelo próprio PT, atropelou o TSE e tomou uma decisão que prorrogou as eleições até as sete horas da noite. O que aconteceu nesse intervalo de tempo, ninguém consegue entender. Isso precisa ser esclarecido. Ninguém sabe exatamente o impacto disso”, disse.

Apesar das críticas à decisão de Zanin, a campanha de Flávio Bolsonaro também havia solicitado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a ampliação do horário de votação em Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Santa Catarina.

+ Flávio Bolsonaro diz que pedirá anulação do 2º turno após Lula ser reeleito

Situação jurídica de Flávio Bolsonaro

O senador é alvo de três inquéritos no STF, que investigam suspeitas de irregularidades envolvendo o financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro, suas relações com o advogado Willer Tomaz e uma suposta calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Com a derrota nas urnas, Flávio deixará o Senado em fevereiro de 2027, quando termina seu mandato. Será a primeira vez em mais de 20 anos que o parlamentar ficará sem mandato eletivo e, consequentemente, sem o foro por prerrogativa de função.

Apesar disso, as investigações em andamento poderão permanecer no STF, conforme entendimento firmado pela Corte em 2025, que mantém sua competência para apurar crimes supostamente cometidos durante o exercício do cargo, mesmo após o fim do mandato.

 

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