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ICE constrói panóptico das redes sociais

ICE fecha parceria com Zignal Labs para plataforma de inteligência em tempo real que analisa bilhões de posts diários e gera alertas de deportação

Image: Cath Virginia / The Verge | Photos from Getty Images
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A Agência de Imigração e Controle de Fronteiras dos Estados Unidos (ICE) anunciou uma nova parceria com a Zignal Labs para desenvolver uma plataforma de inteligência em tempo real. Este sistema, que processa bilhões de postagens diárias em redes sociais, visa monitorar e identificar indivíduos, ampliando as ações de deportação.

A plataforma da Zignal Labs utiliza aprendizado de máquina e reconhecimento óptico de caracteres para analisar mais de 8 bilhões de postagens por dia em mais de 100 idiomas. A tecnologia permite a criação de feeds de detecção que podem ser utilizados pelo ICE para identificar e rastrear pessoas, com capacidade de geolocalização. Isso significa que postagens em redes sociais, como vídeos no TikTok ou imagens no Facebook, podem ser utilizadas para localizar indivíduos.

Implicações da Parceria

A nova ferramenta representa um avanço significativo na vigilância social, levantando preocupações sobre liberdade de expressão e privacidade. Especialistas alertam que o uso de tecnologias de monitoramento pode levar a um aumento nas detenções e deportações, especialmente entre comunidades imigrantes e ativistas. O diretor de liberdades civis da Electronic Frontier Foundation, David Greene, destacou que essa vigilância em larga escala pode ter um efeito paralisante sobre a liberdade de expressão.

Além disso, o ICE planeja contratar quase 30 novos funcionários para monitorar conteúdo em várias plataformas sociais, como Facebook e Instagram. Documentos internos indicam que a agência busca informações sobre familiares e amigos de alvos para facilitar o rastreamento.

Contexto Histórico

O uso de ferramentas de monitoramento por parte do ICE não é novo. Em 2016, a American Civil Liberties Union revelou que a polícia utilizava a ferramenta Geofeedia para rastrear manifestantes. Com um orçamento considerável, o ICE tem a capacidade de empregar uma variedade de tecnologias para monitoramento, o que levanta questões sobre os limites éticos e legais dessas práticas.

A crescente colaboração entre agências governamentais e empresas de tecnologia também gera preocupações sobre a utilização de dados pessoais e a potencial repressão a vozes dissidentes. A situação atual reflete uma tendência alarmante de vigilância estatal, que pode impactar a sociedade de maneira ampla e profunda.

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