Os advogados de sete condenados por envolvimento na trama golpista protocolaram, nesta segunda-feira, 27 de outubro, embargos de declaração. O objetivo é esclarecer supostas obscuridades e contradições nas decisões da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). Apenas a defesa de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, não apresentou recurso.
Entre os principais pontos levantados, as defesas questionam a dosimetria das penas e contestam a inclusão de Jair Bolsonaro, Almir Garnier, Augusto Heleno e Alexandre Ramagem nas imputações. As alegações incluem a falta de clareza em relação às provas utilizadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e a suposta falha na análise das condutas dos réus.
Argumentos das Defesas
A defesa de Bolsonaro argumenta que houve “múltiplos cerceamentos” durante o processo, citando a “ausência de tempo hábil para conhecer a prova”. Além disso, questiona a credibilidade da delação de Mauro Cid e defende que o crime de abolição violenta do Estado Democrático de Direito não poderia ser somado ao de golpe de Estado. O voto do ministro Luiz Fux, que foi o único a votar a favor de Bolsonaro, é mencionado quatro vezes no recurso.
Walter Braga Netto, por sua vez, alega que o ministro Alexandre de Moraes não considerou decisões que impactariam a instrução processual e pede a anulação da delação de Cid. A defesa contesta a soma das penas, que totalizou 26 anos, quando deveria ser de 25 anos e 6 meses.
Outros Réus e Seus Recursos
Almir Garnier contesta a caracterização de sua participação na organização criminosa, pedindo esclarecimentos sobre os atos que lhe foram atribuídos. Alexandre Ramagem questiona a perda de seu cargo de delegado da Polícia Federal e critica as provas apresentadas pela PGR.
O ex-ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, solicita a absolvição de todos os crimes, alegando que sua atuação foi para mitigar riscos ao bem jurídico. A defesa de Augusto Heleno pede a absolvição e, caso a condenação persista, solicita a diminuição da pena e da multa imposta.
Os recursos apresentados refletem a busca dos réus por revisão das decisões e a contestação da interpretação das provas e dos fatos que levaram às condenações.
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