Jornalistas do Blikk, o jornal mais lido da Hungria, manifestaram surpresa após a aquisição do tabloide pelo grupo Indamedia, próximo ao governo do primeiro-ministro Viktor Orbán. O negócio foi realizado com a compra da Ringier Hungary, que inclui outras publicações, como a revista Glamour. A transação ocorre em um momento crítico, a menos de seis meses das eleições gerais, quando Orbán enfrenta uma oposição sem precedentes.
O novo editor-chefe, Balázs Kolossváry, assume após a saída do ex-editor e de outro executivo, ambos deixaram o cargo em “mútuo acordo”. O ex-editor, Ivan Zsolt Nagy, havia sido contratado para reposicionar o jornal, focando em reportagens relevantes, e não em sensacionalismo. A mudança na liderança gerou preocupações entre os jornalistas, que temem uma maior influência governamental na cobertura da mídia.
Reações e Implicações
A compra é vista como uma estratégia para reforçar o controle do governo sobre os meios de comunicação, especialmente em um cenário eleitoral competitivo. Péter Magyar, líder da oposição, criticou a aquisição, chamando-a de tentativa de consolidar o que ele descreve como uma “fábrica de propaganda” que prejudica a democracia na Hungria.
Além disso, a diretora do Mérték Media Monitor, Ágnes Urbán, destacou a importância do Blikk no cenário midiático, afirmando que a publicação é a mais lida no país e seu site é um dos quatro mais acessados. A presença de propaganda em veículos tão populares pode ter um impacto significativo na opinião pública, especialmente em um período eleitoral.
A decisão da Ringier de vender a divisão húngara foi justificada como uma estratégia econômica, visando focar em suas atividades digitais. Com essas mudanças, o futuro da liberdade de imprensa na Hungria se torna uma preocupação crescente entre jornalistas e analistas políticos.
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