A conta do Home Office no TikTok, criada nesta semana, divulga imagens de deportações e prisões com trilha musical dramática. O perfil, chamado SecureBordersUK, traz o slogan Restoring order and control to our borders.
O vídeo inicial dura 20 segundos e mostra pessoas algemadas sendo conduzidas a aviões, além de ações de fiscalização para prender trabalhadores ilegais. Ao final, surge uma mensagem de que o movimento está apenas começando.
Autoridades e organizações respondem de modo ambivalente. Sile Reynolds, da Freedom From Torture, critica o uso de cenas de fiscalização para fins de apelo político, apontando que isso desperta ansiedade e medo.
Imran Hussain, do Refugee Council, ressalta que a maioria dos refugiados no continente não chega ao Reino Unido e que quem vem costuma ter laços no país. Segundo ele, vídeos no TikTok não alteram esse quadro.
O Home Office afirma que a conta busca combater desinformação online e desencorajar a travessia perigosa pelo Canal da Mancha. Dados oficiais indicam recordes de prisões e inspeções por ilegalidade desde 2019.
Em 2025, foram realizadas 12.791 visitas a negócios para averiguação de trabalho irregular, alta de 57% em relação a 2024. As detenções somaram 8.971, aumento de 59%.
Até o momento, 1.087 pessoas foram removidas do Reino Unido após essas ações. O governo diz que não há espaço para trabalho ilegal nas comunidades.
Shabana Mahmood, chefe de gabinete, afirma que a atividade de fiscalização atingiu nível recorde e busca dispersar a economia informal de migrantes ilegais. O anúncio coincide com críticas de oposicionistas.
O vice-líder da oposição, Chris Philp, classifica a iniciativa como manobra pouco eficaz, sugerindo que vídeos no TikTok não impedem a entrada de imigrantes ilegais. A discussão envolve políticas de imigração e comunicação pública.
Dados oficiais e críticas
As autoridades defendem que a comunicação digital faz parte de estratégias para enfrentar o crime relacionado a trabalho irregular. Entidades de defesa de migrantes alertam para o risco de entrarmos numa retórica de hostilidade.
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