Em uma sequência de episódios que expõe a fragilidade da coalizão, oito titulares do frontbench da Nationals deixaram seus cargos. A debandada ocorreu após divergências sobre insistir na solidariedade de gabinete, segundo apuração de fontes próximas.
Tudo começou quase há seis meses, quando as senadoras Bridget McKenzie e Ross Cadell votaram sozinhas em uma sessão no Parlamento, alinhando-se a Pauline Hanson e One Nation, desconsiderando apelos de colegas do Governo. O objetivo inicial era abrir uma comissão sobre migração, sem sucesso.
Na última quarta-feira, McKenzie e Cadell repetiram o voto acompanhado por Susan McDonald, provocando a pressão para demissão de Sussan Ley, líder da oposição. Pela manhã, David Littleproud informou à Ley, por meio de uma carta vazada, que aceitar as demissões provocaria uma debandada maior entre os Nationals.
Crise na coalizão
Na noite seguinte, o próprio Littleproud anunciou sua renúncia à liderança. O episódio marcou o maior estilhaçamento já observado no espectro da direita do parlamento australiano, evidenciando a fragilidade de manter a aliança com os Liberais frente a pressões internas.
O conflito não se resumiu a políticas públicas. O grupo tem buscado maior liberdade para votar conforme interesses próprios, desrespeitando a tradição de unidade do gabinete. A queda de Ley e a deterioração da relação com os Liberais sinalizam um impasse político mais amplo.
Em meio ao caos, o bloco enfrenta críticas por ter ficado distante de pautas que afetam regiões, mudanças climáticas e transparência. Questiona-se quem terá capilaridade suficiente para reconduzir a coalizão diante dos ventos políticos dominantes.
Labor permanece como o principal beneficiário do enredo, com o Primeiro-Ministro Anthony Albanese buscando consolidar posições no início do ano. A situação deixa a agenda parlamentar incerta para as próximas semanas sem uma liderança estável.
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