Políticos da Caminhada pela Liberdade só tomaram ciência do raio ao fim do ato, na Praça do Cruzeiro, em Brasília. O incidente ocorreu durante a manhã de domingo (25), quando a marcha, após percorrer 240 quilômetros de Paracatu (MG), se aproximava do encerramento. A informação sobre o raio chegou apenas quando o grupo já estava reunido no local.
A chuva moderada a forte acompanhava o ato. Parlamentares da oposição, como Lindbergh Farias (PT-RJ) e Erika Hilton (PSOL-SP), criticaram a organização por não ter encerrado o protesto. Nikolas Ferreira (PL-MG), idealizador da caminhada, inicialmente foi alvo de críticas por não mencionar o raio em discurso, mas seguiu para o hospital para obter informações sobre as vítimas.
Primeiro atendimento e chegada de Bombeiros
A Gazeta do Povo acompanhou a concentração na manhã de domingo por volta das 11h50, com crianças, jovens e adultos sob chuva. A descarga elétrica ocorreu perto das 12h30, antes da chegada dos parlamentares. Um clarão seguido de estrondo atingiu o local, derrubando pessoas próximas às grades de contenção.
Quem estava próximo atuou para socorrer as vítimas, com familiares e socorristas carregando homens, mulheres e crianças. Um ponto de atendimento foi montado em ambulâncias e outro em um caminhão próximo ao trio elétrico, até a chegada do Corpo de Bombeiros.
Intervenção das autoridades e deslocamento
O Corpo de Bombeiros chegou por volta das 12h50, com 25 viaturas e 10 Unidades de Resgate. O auxílio incluiu triagem, suporte pré-hospitalar e transporte para hospitais. Parte das pessoas foi encaminhada ao Hospital de Base do DF e ao HRAN; oito apresentavam condições instáveis.
Ao longo do atendimento, o público se afastou das grades, mas retornou à área após o fim dos primeiros socorros, com a chuva persistente. A organização pediu que as pessoas buscassem abrigo seguro e ficassem longe de árvores.
Chegada dos parlamentares e desfecho
Os congressistas que acompanhavam a caminhada chegaram à praça após as 13h45, sem saber do ocorrido. Ao chegar, disseram estar informados apenas por relatos não oficiais sobre 30 atendimentos, com 13 encaminhamentos hospitalares. Nikolas Ferreira chegou às 14h30 e discursou das 15h às 15h15, sem mencionar o raio.
Ao final do ato, o organizador visitou o Hospital de Base para checar o estado das vítimas. A fala de Nikolas encerrou o evento, que teve continuidade apenas com a imprensa local já desligada.
Análise técnica sobre o local e repercussões
A Praça do Cruzeiro é aberta, com poucos abrigos. Estruturas de cerco, como grades e guindastes, formaram um retângulo ao redor do trio elétrico, o que, segundo bombeiros, pode ter contribuído para atrair descargas elétricas. A nota do CBMDF, divulgada após o fim do ato, confirmou 72 atendimentos no local, com 42 em estado estável e 30 encaminhados aos hospitais, entre eles oito com condições instáveis.
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