A investigação informal da Polícia Civil contra um secretário do governo de João Campos (PSB) ganhou contornos políticos em Pernambuco, elevando a tensão entre os grandes grupos que disputam o governo estadual em outubro. A ação envolveu o secretário de Articulação Política e Social, Gustavo Queiroz Monteiro, e o irmão dele, Eduardo Monteiro, assessor da Prefeitura do Recife. Eles foram seguidos e fotografados, e houve o uso de um rastreador no carro do secretário, na apuração realizada sem abertura de inquérito. A prefeitura classificou o episódio como espionagem e uso político da polícia.
O caso veio a público por meio do programa Domingo Espetacular, da TV Record, que exibiu prints de um grupo de WhatsApp criado por delegados de alto escalão, que orientavam as apurações. A denúncia gerou reações entre aliados do governo estadual, que buscaram explorá-la politicamente.
Reação e medidas administrativas
A governadora Raquel Lyra (PSD) escalou o titular da SDS, Alessandro Carvalho, para esclarecer o caso em uma coletiva prevista para segunda-feira. Carvalho confirmou a investigação e explicou que ela foi conduzida por um grupo de inteligência da polícia, composto por três delegados e sete agentes, baseado em denúncia anônima de suposto recebimento de propina envolvendo os irmãos em contratos da prefeitura. Um inquérito para apurar vazamento de informações sigilosas também foi aberto, envolvendo um policial do grupo que foi afastado em novembro de 2025.
O grupo de WhatsApp, apelidado de nova missão, concluiu as apurações após três meses sem constatações de irregularidades. Em resposta, João Campos reagiu publicamente, afirmando que houve uso político da Polícia Civil e perseguição sem ordem judicial, sem boletim de ocorrência ou inquérito formal. Ele destacou a necessidade de investigação independente e disse que vai buscar a Justiça.
Panorama político e desdobramentos
A crise envolve o cenário eleitoral, com Raquel Lyra buscando uma posição que preserve a neutralidade institucional. O histórico de alianças em Pernambuco envolve o PT e o PSB, com mudanças na formação de apoios que ainda dependem de negociações nacionais.
O Ministério Público de Pernambuco encaminhou um ofício solicitando informações à Secretaria de Defesa Social sobre a apuração, em meio à expectativa de que as apurações avancem com base em evidências. O episódio acende o debate sobre uso de instrumentos de investigação em período eleitoral e seus impactos políticos.
Entre na conversa da comunidade